Partido basco quer trégua do governo espanhol para diálogo

Ao mesmo tempo que o partido separatista basco Batasuna espera que o grupo armado ETA não cometa novos atentados para permitir uma retomada do processo de paz., também pede ao governo que "ponha fim às agressões" policiais e jurídicas contra os separatistas. A informação é de um dos dirigentes do partido ilegal, Juan José Petrikorena, considerado braço direito do ETA.Petrikorena, comentando declarações à imprensa de outros membros do Batasuna, disse que "todos devem fazer a sua parte para permitir que seja retomado o processo de paz". E, se é verdade que, "como já foi dito, com bombas não há processo", ao mesmo tempo deveriam cessar todas as "agressões" contra a esquerda separatista por parte das autoridades. Sobre essas bases "será possível retomar o processo de paz", disse Petrikorena, lembrando que apesar do atentado de 30 de dezembro no aeroporto de Madri "o ETA decidiu manter uma trégua permanente". Os objetivos da negociação continuariam os mesmos: "Uma solução definitiva para o conflito graças a um acordo político que reconheça os direitos à autodeterminação". As palavras de Petrikorena têm o mesmo tom que as declarações de outros dirigentes separatistas, como os membros da direção do Batasuna, Pernando Barrena e Joseba Permach, e o sindicalista Rafa Diez. Segundo observadores, a "distância" que o Batasuna está tomando da violência do ETA pode ser um pretexto para que o chefe do governo espanhol, José Luis Rodríguez Zapatero, retome, em um momento oportuno, o diálogo brutalmente interrompido pelo atentado no aeroporto de Madri. Na quinta-feira, Zapatero recebeu no La Moncloa o governador basco, Juan José Ibarretxe, a favor da retomada do diálogo, apesar do atentado que matou duas pessoas.

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