REUTERS/Carlos Eduardo Ramirez
REUTERS/Carlos Eduardo Ramirez

Partido chavista pede que Justiça suspenda registro eleitoral da oposição

Medida ocorre em meio a expectativas de que o CNE valide as assinaturas necessárias para dar início ao referendo revogatório do mandato de Maduro

O Estado de S. Paulo

26 de julho de 2016 | 20h59

CARACAS - O representante chavista junto à Justiça Eleitoral venezuelana, Jorge Rodríguez, pediu nesta terça-feira, 26, ao Conselho Nacional Eleitoral (CNE) a anulação do registro da coalizão opositora Mesa de Unidade Democrática (MUD) por fraude na instalação do referendo revogatório do presidente Nicolás Maduro. O pedido ocorre em meio a expectativas de que o CNE valide as assinaturas necessárias para dar início ao processo, que, se realizado ainda este ano, pode culminar com a realização de novas eleições presidenciais no país. 

"Viemos solicitar o cancelamento da inscrição da MUD por estar envolvida na maior fraude eleitoral da história", disse Rodríguez, que também é prefeito do distrito caraquenho de Libertador, ao se reunir com a reitora do CNE, Tibisay Lucena. "O CNE está obrigado a atender esse pedido de forma expressa."

Em meio a uma grave crise econômica provocada pela dilapidação das reservas em moeda forte, controle cambial e expansão do déficit fiscal, Maduro viu sua base de apoio corroer nos últimos três anos  - hoje pouco mais de 20% dos venezuelanos o apoiam. No ano passado, o chavismo sofreu uma ampla derrota nas eleições legislativas. 

A MUD elegeu maioria qualificada no Parlamento, mas o chavismo, via Poder Judiciário - no qual os juízes dificilmente tomam decisões contrárias ao governo - tem bloqueado todas as ações legislativas da oposição.

Em abril, a oposição decidiu impulsionar o processo de referendo revogatório de Maduro - previsto na Constituição e já realizado em 2004 durante o segundo mandato de Hugo Chávez. Mais de 1,8 milhão de assinaturas favoráveis à saída de Maduro foram recolhidas. O chavismo alegou fraude e o CNE - também com reitores apontados pelo governo - invalidou 600 mil delas. 

Uma recontagem das assinaturas indicou que havia mais que o númerp necessário de 200 mil para iniciar o processo. No começa da semana, a MUD declarou que o CNE já tinha esses dados e iria publicá-los. O chavismo, então, denunciou essa nova suposta fraude. 

"Como se ativa um artigo da Constituição com base em um processo manchado?", questionou Rodríguez.

A MUD deve marchar amanhã rumo ao CNE em Caracas para pressionar pela convocação da nova fase do referendo, no qual são necessárias 4 milhões de assinaturas para convocar a votação. Uma pesquisa divulgada na quarta-feira mostrou que Maduro perderia o referendo com 64% dos votos. / EFE

 

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.