Federico Gambarini/Reuters
Federico Gambarini/Reuters

Partido conservador alemão escolhe novo líder e aposta na continuidade com a era Merkel

Armin Laschet substitui no cargo a que foi considerada por muito tempo a mão direita de Merkel, Annegret Kramp-Karrenbauer, que a sucedeu na presidência em 2018 e renunciou em 2020 por não conseguir unir as fileiras do partido

Redação, O Estado de S.Paulo

16 de janeiro de 2021 | 10h13
Atualizado 16 de janeiro de 2021 | 11h37

BERLIM - Armin Laschet, um moderado defensor de continuar com a linha política de Angela Merkel na Alemanha, foi eleito neste sábado, 16, presidente do partido político da chanceler, o conservador União Democrata-Cristã (CDU).

Com uma maioria de 521 votos a favor sobre um total de 1.001, Armin Laschet, de 59 anos, recebeu mais apoios que Friedrich Merz (466 votos), rival histórico da chanceler e favorável a um giro à direita no partido, segundo os resultados desta votação interna.

Essas eleições no CDU são decisivas para o futuro da Alemanha, já que o vencedor - neste caso, Laschet - ocupa uma boa posição para ser o candidato a chanceler do partido nas eleições legislativas de 26 de setembro e ser o sucessor de Merkel, que está no poder desde 2005.

Mas a presidência do CDU não lhe garante automaticamente esse privilégio, já que o líder do partido para as eleições é designado posteriormente e pode haver outros pretendentes ao cargo.

Os 1.001 delegados do partido tiveram de escolher entre Laschet, Merz e o independente Norbert Rottgen. Os três vêm da mesma região, Renania do Norte-Westfalia, mas seus perfis são muito diferentes.

Laschet substitui no cargo a que foi considerada por muito tempo a mão direita de Merkel, Annegret Kramp-Karrenbauer, que a sucedeu na presidência em 2018 e renunciou em 2020 por não conseguir unir as fileiras do partido.

Essas eleições no CDU foram adiadas várias vezes por culpa da pandemia do coronavírus.

Na sexta-feira, Laschet - que lidera desde 2017 a região de Renania do Norte-Westalia, a mais populosa do país - recebeu o apoio de Merkel, que pediu a continuidade de uma linha "centrista" e a rejeição da polarização.

Conselho político complicado

Friedrich Merz, inimigo jurado da chanceler desde que foi derrotado na presidência do grupo conservador no Bundestag (Câmara Baixa do Parlamento) em 2002, sonhava com uma revanche, mas perdeu de novo neste sábado.

Esse empresário já perdeu por pouca diferença em 2018 para Kramp-Karrenbauer. Sua posição contrária à imigração, que agrada os eleitores mais radicais, continuará pesando no futuro da CDU, já que Merz, apesar da derrota, conseguiu muitos votos a favor.

Contra ele, Laschet, um ex-jornalista de olhos risonhos, favorável à acolhida de migrantes, agrada o eleitorado mais centrista e, se for candidato em setembro, poderia até formar uma eventual coalizão com os Verdes, a segunda força do país.

Sua criticada gestão da pandemia em Renania do Norte-Westfalia não prejudicou aa eleição interna. Na primavera (no Hemisfério Norte), Laschet defendia uma flexibilização das restrições, um movimento que os especialistas consideraram muito precoce.

Laschet se dirigiu aos delegados antes da votação em um tom muito pessoal, lembrou as origens de sua família, de trabalhadores de minas - que parecia marcar as diferenças em relação ao bilionário Merz - e alertou contra a polarização, extremismos e situações como a que ocorreu nos Estados Unidos, com o ataque ao Capitólio dos seguidores do presidente Donald Trump.

No entanto, o caminho para a chanceleria não será simples. Outro responsável, Markus Soder, dirigente do partido aliado União Social Cristã (CSU), também está muito bem colocado, já que se tornou uma das personalidades mais populares do país pela sua defesa das restrições severas na pandemia. Soder sonha que a CDU o convide para se apresentar ao cargo e tornar-se, talvez, o primeiro chanceler de seu partido./AFP 

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