REUTERS/Peter Nicholls
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Após revés, May ignora pedidos de renúncia e tentará apoio de aliados da Irlanda do Norte

Após encontro com a rainha, primeira-ministra britânica diz que vai buscar aliança com o Partido Unionista Democrático; os conservadores conquistaram 318 cadeiras no Parlamento, não atingindo a marca de 326 que precisariam

O Estado de S.Paulo

09 de junho de 2017 | 02h36
Atualizado 09 de junho de 2017 | 09h45

LONDRES - A primeira-ministra britânica, Theresa May, ignorou nesta sexta-feira, 9, os pedidos de renúncia lançados depois de perder a maioria absoluta dos conservadores no Parlamento, e tentará formar um governo. Após se reunir com a rainha Elizabeth II no Palácio de Buckingham, uma formalidade necessária, May afirmou que tentará conseguir o apoio do Partido Unionista Democrático da Irlanda do Norte (DUP) - que obteve 10 cadeiras na eleição de quinta - para "cumprir a promessa do Brexit".

"Eu acabei de me encontrar com sua Majestade, a rainha, e agora eu vou formar um governo. Um governo que garanta estabilidade e lidere os britânicos para frente nesse momento crítico para o nosso país", afirmou a primeira-ministra em um pronunciamento na frente de sua residência oficial, em Downing Street. 

Com 649 dos 650 assentos do Parlamento definidos, os conservadores, de May, conquistaram 318 vagas. Apesar de ser o partido de maior representação na Casa, a legenda não atingiu a marca de 326 que precisaria para obter uma maioria parlamentar. Os trabalhistas ficaram com 261 assentos.

Após os resultados preliminares, Jeremy Corbyn, líder do Partido Trabalhista, exigiu a renúncia de May. Ela "perdeu cadeiras conservadoras, perdeu votos, perdeu apoio e perdeu confiança. Eu digo que isto é o suficiente para partir", declarou ele após ser reeleito na circunscrição de Islington North, no centro de Londres.

A primeira-ministra, reeleita em Maidenhead, não deu o braço a torcer e disse que apenas os conservadores são capazes de garantir a estabilidade que o Reino Unido necessita em tempos difíceis. "O país precisa de um período de estabilidade e qualquer que sejam os resultados, o Partido Conservador garantirá que possamos cumprir esta tarefa", disse May.

O cataclismo conservador prolonga um ano turbulento da política britânica desde que o país votou de forma inesperada a favor do Brexit - a saída do Reino Unido da União Europeia (UE) - em junho de 2016.

Fracasso

"Em suma, é uma verdadeira bagunça", declarou à Angus, um britânico de 43 anos. Mas, acima de tudo, é um fracasso pessoal para May, que dispunha de uma maioria de 17 assentos no Parlamento e havia convocado eleições antecipadas na esperança de obter uma maioria mais ampla para negociar em posição de força a saída da União Europeia.

O ex-ministro das Finanças conservador George Osborne declarou que o resultado é “totalmente catastrófico para os conservadores e para Theresa May".

O líder do Ukip (Partido para a Independência do Reino Unido), à beira de desaparecer após essa eleição, chegou a colocar em dúvidas que a saída do país do bloco. "Se a pesquisa se confirmar, Theresa May pôs o Brexit em perigo", disse Paul Nuttall.

O colunista Andrew Rawnsley, do Observer, disse à rede BBC que "estamos assistindo à vingança dos 'remainers'", os defensores da permanência na UE. Para o veterano conservador Ken Clarke, o referendo abriu a caixa de Pandora. "Nunca mais um referendo sobre nada", exclamava em uma entrevista à BBC.

Sobre as negociações de saída do bloco europeu, o negociador da UE para o Brexit, Michel Barnier, sugeriu nesta sexta-feira que Bruxelas poderá dar mais tempo ao Reino Unido antes de iniciar as discussões.

"As negociações sobre o Brexit deveriam começar quando o Reino Unido estiver pronto. O calendário e as posições da UE são claros. Vamos unir esforços para concluir um acordo", disse em sua conta no Twitter. / AFP e REUTERS

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