EFE/ALEX IBAÑEZ
EFE/ALEX IBAÑEZ

Partido de Bachelet sofre derrota nas eleições legislativas do Chile

Com 98,01% das urnas apuradas, aliança opositora vencia com 38,46% dos votos; partido direitista venceu também em Santiago, cidade que concentra o poder político do país

O Estado de S.Paulo

24 de outubro de 2016 | 14h42

SANTIAGO - A oposição de direita chilena aplicou no domingo um duro golpe na coalizão governista da presidente Michelle Bachelet, com vitórias nas localidades mais emblemáticas do país, abrindo caminho para a recuperação do poder nas eleições gerais do próximo ano.

"Este é o primeiro passo para recuperar (a casa de governo) La Moneda", celebrou o presidente da conservadora União Democrata Independente (UDI), Hernán Larraín, um dos partidos da aliança opositora chamada Chile Vamos. O grupo venceu com 38,46% dos votos a coalizão governista, que obteve 37,09%, depois de apurados 98,01% dos votos, segundo o Serviço Eleitoral (Servel).

A abstenção superou os 65%. Em algumas localidades como Puente Alto, na área metropolitana, apenas 21,6% dos eleitores votaram. A oposição ficou com as prefeituras de cidades importantes como Santiago, Providencia, Maipú, Ñuñoa e Puente Alto.

"Os corações sentem que tempos melhores estão vindo", declarou o ex-presidente Sebastián Piñera (2010-2014), o mais provável candidato único da direita para as eleições de novembro de 2017, celebrando vitória na Província de Providência, da ex-candidata presidencial Evelyn Matthei.

O empresário multimilionário, que antecedeu Bachelet no cargo, adiou sua decisão para março de 2017. As pesquisas o situam como a melhor opção para recuperar o poder para a direita. "Temos de fazer melhor as coisas. É o que os cidadãos estão nos pedindo", admitiu Bachelet, cuja popularidade despencou depois da explosão de um escândalo de corrupção envolvendo seu filho mais velho.

O advogado Felipe Alessandri foi outra surpresa do dia ao desbancar a experiente dirigente social-democrata Carolina Tohá da prefeitura de Santiago. A vitória da direita na cidade que concentra o poder político do país dá um novo impulso a Piñera.

Por outro lado, a derrota de Carolina representa um duro golpe para o governo e, em especial, para os planos do também ex-presidente Ricardo Lagos (2000-2006), que ambiciona a indicação única da centro-esquerda.

No lado dos derrotados, também há possíveis candidatos nas primárias como a senadora Isabel Allende, filha do ex-presidente Salvador Allende, e o jornalista Alejandro Guillier, até agora favorito dos eleitores. Por lei, Bachelet não pode tentar uma reeleição consecutiva.

Abstenção. Cerca 14 milhões de cidadãos estavam habilitados a votar nos prefeitos e vereadores das 346 cidade do país na sexta eleição legislativa desde a volta da democracia após a ditadura de Augusto Pinochet (1973-1990). Contudo, foi registrada uma abstenção acima de 65%, segundo dados parciais, como já vinha acontecendo desde a instauração do voto voluntário em 2012.

As eleições transcorreram calmamente, mas foram marcadas por um forte descontentamento da população após vários escândalos de corrupção política, incluindo até mesmo o filho de Bachelet, investigado pelo suposto uso de informação privilegiada e tráfico de influência envolvendo um milionário negócio imobiliário.

"Há muita desconfiança em relação a quem ocupa cargos públicos ou se apresentam como candidatos, e a resposta foi abster-se de votar", comentou o eleitor Ignacio Torres. Pesquisas prévias antecipavam uma vitória apertada do governo. / AFP

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