Partido de Benazir diz que vai afastar Musharraf após eleições

Presidente paquistanês adverte oposição contra acusações de fraude e diz que pleito será limpo e justo

Agência Estado e Associated Press,

15 de fevereiro de 2008 | 09h36

O partido da assassinada ex-premiê Benazir Bhutto vai tentar afastar o presidente Pervez Musharraf caso vença as eleições parlamentares de segunda-feira, disse um líder da agremiação. Os comentários foram feitos um dia depois de Musharraf advertir a oposição para não denunciar fraude e promover protestos depois da votação. "O afastamento de Musharraf colocará o Paquistão de volta aos trilhos da verdadeira democracia", afirmou Babar Awan, membro do comitê central executivo do Partido Popular do Paquistão.  Recentes pesquisas de opinião colocam o partido bem à frente do grupo pró-Musharraf. "Vamos vencer as eleições se não houver fraude em massa", previu. Outro partido oposicionista, do ex-premiê Nawaz Sharif, rejeitou o aviso de Musharraf, e garantiu que promoverá protestos em todo o país caso entenda que a eleição foi fraudada. "Sabemos que Musharraf quer roubar a eleição", disse Sadiq ul-Farooq, um líder do partido de Sharif. "Se ele fizer isso, vamos forçá-lo a sair com protestos de rua". Apesar de Musharraf não estar concorrendo à reeleição, ele precisa de uma forte maioria no Parlamento para bloquear qualquer tentativa de impeachment contra ele. Recentes pesquisas mostram que a Liga Muçulmana do Paquistão-Q, de Musharraf, tem perdido apoio e que a oposição deve conquistar uma vitória acachapante. Num seminário na quinta-feira, Musharraf disse que "apesar de todos os rumores, insinuações e todo tipo de apreensão, essas eleições serão livres, justas, transparentes e pacíficas". "Não sabemos quem irá perder nem quem irá vencer. Não haverá fraude", garantiu. O ex-general, que tomou o poder num golpe militar em 1999, disse que está comprometido com a democracia, "mas não se ela levar o país a ser declarado um Estado falido".  Uma pesquisa divulgada esta semana pelo International Republican Institute, financiado pelo governo dos EUA, mostrou que 50% dos entrevistados votariam no partido de Benazir, 22%, no de Sharif, e apenas 14%, no governista LMP-Q. Musharraf criticou a pesquisa. "Gostaria de dizer para todas essas organizações estrangeiras, especialmente aquelas promovendo todas essas pesquisas, que não perturbem a paz deste país, não perturbem a paz desta região", disse Musharraf. "Vocês estão brincando com a paz do mundo" O Paquistão, nação de 160 milhões de habitantes, enfrenta um grande desafio apresentando por extremistas islâmicos, principalmente nas regiões fronteiriças com o Afeganistão. A Al-Qaeda e grupos ligados à milícia Taleban têm sido responsabilizados pelo assassinato em 27 de dezembro de Benazir e uma série de atentados suicidas a bomba, alguns em comícios eleitorais. Musharraf citou preocupações com o terrorismo quando promoveu expurgos no judiciário, calou a imprensa, e impôs seis semanas de estado de emergência no final do ano passado. Críticos disseram que as medidas visavam garanti-lo no poder. Musharraf é um aliado-chave dos Estados Unidos em sua luta contra o terrorismo mundial.

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