Partido de Bhutto quer coalizão sem aliados de Musharraf

Liga Muçulmana do Paquistão (LMP) admitiu nesta terça-feira, 19, a derrota nas eleições parlamentares

Reuters,

19 de fevereiro de 2008 | 13h34

O partido da ex-primeira-ministra paquistanesa Benazir Bhutto, assassinada no ano passado, vai tentar formar um governo de coalizão no país sem a presença da Liga Muçulmana do Paquistão (LMP), aliada do presidente Pervez Musharraf, disse nesta terça-feira, 19, o viúvo da ex-premiê, Asif Ali Zardari.   Veja também: Oposição tem esmagadora vitória em eleições no Paquistão Governo admite derrota em eleições paquistanesas O Partido do Povo do Paquistão (PPP) venceu a maior parte das cadeiras da Assembléia Nacional nas eleições legislativas de segunda-feira, 18, enquanto os simpatizantes de Musharraf na LMP ficaram em terceiro lugar. "Neste momento, a decisão do partido é de que não estamos interessados em nenhuma dessas pessoas que são parte do último governo", afirmou Zardari em entrevista coletiva em Islamabad. Segundo ele, seu partido tentará convencer a legenda de Nawaz Sharif, premiê deposto por um golpe de Musharraf em 1999, a se unir ao PPP no poder.   Derrota admitida   "Reconhecemos (a derrota) e parabenizamos aqueles que venceram as eleições", disse Mushahid Syed Hussain, secretário geral do PML-Q.   Com grande parte dos votos já contados, o PPP conquistou o maior número de assentos no Parlamento, seguido pela (Liga Muçulmana do Paquistão-Nawaz) PML-N, do ex-primeiro-ministro Nawaz Sharif. O governista PML-Q ficou em um distante terceiro lugar.   Sharif disse que Musharraf deve deixar o cargo após a derrota nas urnas. "O povo deu seu veredicto", disse ele nesta terça-feira, 19. "Ele (Pervez Musharraf) havia dito que quando o povo quisesse, ele deixaria o poder. As pessoas disseram o que querem", disse Sharif, que afirmou pretender se encontrar com o líder do PPP, Asif Zardari, na quinta.   Reações Os resultados oficiais devem ser divulgados na noite desta terça, 19. Analistas acreditam que, após a consolidação dos resultados, terá início uma fase de negociações políticas para a formação de um novo governo. Em editorial, o diário nacional Dawn pede que a nova administração assuma a tarefa de mudar a Constituição, para que ela volte a ter o espírito do documento original de 1973. Neste sentido, segundo o jornal, é necessário que sejam mudados alguns dispositivos como o que permite ao presidente dissolver o Parlamento e demitir o primeiro-ministro a qualquer momento. O jornal afirma esperar que Musharraf cumpra o compromisso firmado de atuar como uma "figura paternal" após as eleições. "Esperamos que ele mantenha sua palavra e compreenda as implicações de ser um chefe constitucional".

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