Partido de centro-direita vence eleições em Portugal

Premiê socialista admitiu derrota e renunciou a liderança do partido; PSD tentará coalizão com outro partido.

BBC Brasil, BBC

05 de junho de 2011 | 21h27

O Partido Social Democrata (PSD), liderado por Pedro Passos Coelho, venceu as eleições gerais de Portugal neste domingo, derrotando o Partido Socialista e encerrando o período de seis anos do partido no poder.

Segundo a correspondente da BBC em Lisboa Alison Roberts, em seu discurso de vitória, Passos Coelho afirmou que os resultados mostram que os eleitores querem deixar o passado para trás.

De acordo com Roberts, o PSD não conseguiu a maioria absoluta no Parlamento e agora planeja tentar uma coalizão com outro partido de direita, o Centro Democrático Social (CDS).

Ainda durante a divulgação de pesquisas de boca de urna, que já sugeriam a vitória do PSD, o primeiro-ministro interino de Portugal, José Sócrates, admitiu a derrota e renunciou como líder do Partido Socialista.

"Esta derrota é totalmente minha e quero assumir toda a responsabilidade", disse Sócrates neste domingo.

"Sinto que é necessário abrir um novo ciclo político que seja capaz de preparar uma alternativa consistente. Quero dar ao Partido Socialista o espaço para discutir seu futuro e escolher uma nova liderança."

O novo governo terá que implementar o pacote econômico que prevê uma ajuda financeira de 78 bilhões de euros ao país.

As eleições deste domingo foram marcadas pela forte crise econômica em Portugal. O país terá que reformar seu sistema público de saúde e implementar um programa de privatizações em troca de ajuda financeira, negociada com os países da União Europeia.

Todos os principais partidos concordaram com o pacote de ajuda financeira, que exigirá medidas de austeridade no país.

O líder socialista José Sócrates renunciou ao cargo de primeiro-ministro em março, abrindo caminho para novas eleições depois que a oposição parlamentar rejeitou um plano de medidas de austeridade proposto pelo governo socialista - o segundo em menos de um ano.

Desde então, ele governou como primeiro-ministro interino.

Crise

Portugal enfrenta uma taxa de desemprego superior a 12% e uma economia que deve contrair 2% neste ano e no próximo.

Ao votar nos arredores de Lisboa, Pedro Passos Coelho afirmou que Portugal deve obedecer os termos do pacote de ajuda financeira.

"Nós sabemos que teremos um período muito difícil nos próximos dois ou três anos", disse.

"Mas tenho certeza de que vamos fazer as mudanças necessárias e Portugal vai alcançar uma nova prosperidade com crescimento econômico", acrescentou.

Na última semana Passos Coelho afirmou que era o candidato preferido dos países que doarão dinheiro a Portugal.

"Vamos cortar o desperdício e os excessos do estado, ao mesmo tempo em que encontraremos uma maneira de fazer com que os mais necessitados tenham o que precisam", disse Coelho a seus partidários.

José Sócrates acusa os social-democratas de terem uma "agenda de direita radical" e critica Passos Coelho por sua falta de experiência no governo.

"Se você acha que programas sociais são importantes, vote no Partido Socialista porque nossas políticas asseguram o estado de bem estar social", disse o candidato em um comício, na última sexta-feira.

O próximo governo terá que implantar reformas fiscais e sociais amplas e urgentes, incluindo mais medidas de austeridade para restaurar a saúde fiscal do país e encorajar o crescimento econômico.

Os termos do acordo de ajuda financeira incluem aumento dos impostos, congelamento de aposentadorias e cortes nos benefícios dos funcionários.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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