Partido de De la Rúa pode não ter candidato presidencial

Pela primeira vez desde os anos 40, a União Cívica Radical (UCR) poderá não apresentar um candidato para eleições presidenciais. Esta possibilidade está sendo analisada pelas principais lideranças do partido, que se reunirão nesta quarta-feira para analisar que posição tomar em relação às eleições presidenciais do dia 3 de março, quando será escolhido o sucessor do atual presidente, o interino Adolfo Rodríguez Saá.Diversos caciques do partido consideram que entrar na corrida eleitoral poderia ser desastroso, já que poderiam sofrer uma histórica derrota do Partido Justicialista (Peronista). O peronismo voltou ao poder através de Saá. Existe unanimidade entre os analistas em afirmar que o peronismo será o vencedor das eleições de março.Por causa deste cenário pouco propício, existem setores que defendem a abstenção nestas eleições. Os principais interessados nesta abstenção são os governadores das províncias controladas pela UCR. Na reunião de quarta-feira estarão presentes os líderes partidários, além dos chefes dos blocos parlamentares.Se a UCR decidir entrar na corrida eleitoral, terá que enfrentar uma série de desafios. Um deles será o de convencer o eleitorado de que o centenário partido é uma opção viável. Isto seria uma tarefa difícil, já que a UCR é o partido do recém-renunciado ex-presidente Fernando De la Rúa (1999-2001).Em seu currículo, o partido acumula o fato de que o anterior presidente da República que foi da UCR, Raúl Alfonsín (1983-1989), também não completou o mandato, já que renunciou seis meses antes do fim do governo.Com este cenário altamente desfavorável, no qual as primeiras pesquisas indicam uma intenção de voto pouco acima de 5%, a UCR teria que encontrar um "mártir", que esteja disposto a sacrificar-se pelo partido.Entre os "mártires" estão o presidente da UCR e governador da província do Chaco, Angel Rozas. O governador, que foi intenso crítico de De la Rúa, confirmou que vai participar: "vou jogar para ganhar", disse.Rozas considera que existem chances para a UCR, já que o partido, no último ano, mostrou-se diferenciado das decisões de De la Rúa, especialmente depois da entrada de Domingo Cavallo como ministro da Economia em março. "A UCR não morreu. Não vai desaparecer por causa dos erros de De la Rúa", sustentou. Rozas propõe que o governo abandone a conversibilidade econômica "paulatinamente".Outro nome da UCR para o teste das urnas em março seria o de Rodolfo Terragno, senador da cidade de Buenos Aires, ex-chefe de gabinete de ministros, e considerado um dos poucos "intelectuais" do partido. "O partido tem que aparecer e não poder ficar de fora", sustenta o ex-ministro do Interior, Federico Storani.No entanto, no meios políticos começou a circular outra possibilidade, a de que nos próximos dias, uma mobilização da oposição no Congresso Nacional tentaria impedir a convocação das eleições para o dia 3 de março.Leia o especial

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