Osman Orsal / REUTERS
Osman Orsal / REUTERS

Partido curdo frustra ambições de Erdogan em eleições parlamentares

Resultado dificultará a formação de um governo pela primeira vez desde que o partido governista AKP chegou ao poder, há mais de uma década

O Estado de S.Paulo

07 de junho de 2015 | 18h09

ANCARA - Resultados preliminares das eleições parlamentares na Turquia indicam que o Partido Justiça e Desenvolvimento (AKP), do presidente RecepTayyip Erdogan, não terá o apoio necessário para dar andamento a seu plano de mudar a estrutura de poder do governo. Com 99% dos votos apurados, o AKP tinha apoio de aproximadamente 41% dos eleitores, de acordo com a TV estatal TRT. Projeções indicam que isso se traduziria em 258 assentos no Parlamento, 18 a menos do que o mínimo necessário para que o partido mantivesse maioria absoluta.

O resultado dificultará a formação de um governo pela primeira vez desde que o partido chegou ao poder, há mais de uma década. "Esperamos um governo minoritário e uma eleição precoce", disse um oficial sênior do AKP à agência Reuters, sob condição de anonimato. A lira turca foi enfraquecida em relação ao dólar com investidores com medo da incerteza política, que se posicionavam para o começo dos negócios na segunda-feira.

No início de sua campanha, Erdogan pediu aos eleitores 400 assentos, um número que permitiria ao partido alterar a Constituição para ampliar os poderes da presidência. Para convocar um referendo sobre a mudança da constituição, o AKP precisaria assegurar pelo menos 330 dos 550 assentos do parlamento.

Segundo os resultados preliminares, o partido pró-curdo Partido Democrático (HDP) teria obtido 12% dos votos, garantindo seu acesso ao Parlamento. Analistas diziam que se o HDP obtivesse pelo menos 10% dos votos, Erdogan não conseguiria propor uma nova Constituição e ainda teria de governar pela primeira vez num sistema de coalizão.

O maior partido de oposição ao governo, o secularista Partido da República do Povo, reuniu cerca de 25% dos votos e o Partido do Movimento Nacionalista concentrou pouco menos de 17% dos eleitores.

Erdogan é a figura política dominante do país desde 2002, quando seu partido subiu ao poder. Ele se tornou primeiro-ministro em 2003 e ocupou o cargo por 12 anos. No ano passado, decidiu concorrer à presidência, apostando que o partido conseguiria ampliar seus poderes mais tarde. Erdogan argumenta que tal transição ajudaria a simplificar as tomadas de decisão.

Após o anúncio dos resultados oficiais, um novo governo deve ser formado em 45 dias, ou novas eleições serão convocadas. / DOW JONES NEWSWIRES, ASSOCIATED PRESS e REUTERS 

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