Partido de Evo aceitará aprovar Constituição por dois terços

O governo boliviano recuou nesta quarta-feira em sua disputa com a oposição sobre o sistema de votação adotado na Constituinte numa tentativa de acabar com um impasse que já dura cinco meses. O vice-presidente da Bolívia, Alvaro García Linera, anunciou que a proposta da oposição, que defende a exigência de uma maioria de dois terços para aprovar os artigos da nova Constituição, seria aceita desde que ela se comprometesse a aprovar o texto da nova Carta Magna em seis meses. "Aceitamos os dois terços para a aprovação dos artigos, mas precisamos de uma cláusula que nos garanta que não vai haver bloqueio (da votação) por parte de alguns opositores e que todos os artigos serão aprovados até 2 de julho", disse Linera. Uma nova Constituição é uma promessa de campanha do presidente Evo Morales, eleito em 2005. Entretanto, as divergências entre a oposição e o partido de Evo, o Movimento ao Socialismo (MAS), paralisam o processo desde agosto. Até agora, o MAS estava insistindo em aprovar os artigos da futura Carta por maioria de 50% mais 1. Como o partido de Evo conta com 137 dos 255 integrantes da Constituinte, isso lhe permitiria dominar o processo de elaboração da Carta Magna. A oposição recebeu a proposta de Linera com ceticismo. "Era questão de tempo até que se impusesse a maioria de dois terços, mas prefiro ser cauteloso até que se tenha certeza de que o regulamento dos debates será modificado", disse o parlamentar da oposição Samuel Doria Medina, acrescentando que o governo freqüentemente volta atrás em suas decisões.

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