Partido de Evo decide aprovar Carta em bloco

Estratégia de votar todos os artigos em uma única sessão irrita oposição e agrava crise política boliviana

Ruth Costas, SANTA CRUZ DE LA SIERRA, O Estadao de S.Paulo

03 de dezembro de 2007 | 00h00

Parlamentares da mesa diretora da Assembléia Constituinte boliviana pretendem aprovar a nova Carta do país "em bloco", numa única sessão que ocorrerá no dia 14. A proposta inicial era que o projeto seria discutido artigo por artigo. O anúncio da mudança de planos, feito em meio a um aumento da tensão entre o presidente Evo Morales e a oposição, reforça as críticas de que o governo está tentando impor na marra uma nova Constituição ao país. Há uma semana, o projeto da nova Carta foi aprovado em primeira instância numa sessão realizada num quartel e sem a presença da oposição. Em uma entrevista coletiva da qual Evo também participou, os parlamentares - todos do partido governista Movimento ao Socialismo (MAS) - explicaram que esse método foi escolhido para permitir que a Constituição seja aprovada rapidamente, já que as "forças de direita" não querem "refundar o país". A bancada do MAS foi declarada em "sessão permanente" para acelerar o processo de tramitação do projeto e prometeu submetê-lo a "setores sociais". O chamado de Evo para que os partidos de oposição também participem da elaboração da nova Carta não voltou a ser mencionado. Líderes políticos e dirigentes dos comitês cívicos dos Departamentos (Estados) de Santa Cruz, Tarija, Beni, Pando, Cochabamba e Chuquisaca iniciam hoje uma greve de fome para protestar contra a nova Constituição e outras medidas do governo. Na noite de sábado, de 100 a 200 policiais foram enviados à Santa Cruz, capital do departamento mais rico da Bolívia e o principal bastião da oposição.O comando da polícia não quis confirmar o número exato de homens e disse que eles irão substituir policiais que subiram de patente. Na Escola Básica da Polícia, onde todos estavam concentrados, porém, os policiais disseram ao Estado que haviam sido encarregados de "reforçar a segurança caso ocorram greves e conflitos" nesta semana. Há dois dias, o envio de 150 policiais a Cobija, em Pando, revoltou os grupos de oposição. Mais de 20 pessoas ficaram feridas num confronto que envolveu esses grupos, simpatizantes de Evo e as forças de segurança oficiais no sábado. Alguns líderes dos departamentos ricos também prometem ir aos EUA para denunciar na ONU e na OEA a forma "ilegítima" como o governo boliviano está tentando aprovar a nova Carta e um corte nos repasses dos impostos sobre os hidrocarbonetos.

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