Benoit Tessier/Reuters
Benoit Tessier/Reuters

Partido de extrema direita é aceito na SciencesPo

Maior escola de política da França terá associação para representar interesses da Frente Nacional, da família Le Pen

Andrei Netto, CORRESPONDENTE, PARIS, O Estado de S. Paulo

01 Outubro 2015 | 20h35

O partido de extrema direita Frente Nacional (FN) obteve nesta quinta-feira o direito de ser reconhecido, atuar na captação de jovens talentos e de receber subvenções na mais importante escola de ciências políticas da França e uma das mais influentes da Europa.

O reconhecimento foi concedido graças ao voto de mais de 120 estudantes do Instituto de Estudos Políticos (SciencesPo) de Paris, que concordaram em avalizar a criação de uma associação representando os interesses do partido da família Le Pen no interior da escola superior.

Na prática, o reconhecimento permitirá à Frente Nacional recrutar futuros quadros políticos e novos militantes entre os jovens estudantes da instituição, conhecida como a escola dos presidentes e dos primeiros-ministros da França.

Dos últimos seis chefes de Estado do país eleitos desde 1969, cinco passaram pelas salas de aula do estabelecimento: o atual, François Hollande, além de Nicolas Sarkozy (2007-2012), Jacques Chirac (1995-2007), François Mitterrand (1981-1995) e Georges Pompidou (1969-1974).

Na votação, o partido de extrema direita recebeu menos votos do que seu concorrente de direita, Les Républicains, liderado pelo ex-presidente Nicolas Sarkozy, mas chegou à frente do Partido Socialista (PS), de Hollande.

A consulta foi realizada junto aos 13 mil estudantes do Instituto de Estudos Políticos para deliberar sobre quais associações, dentre as 119 que se candidataram em áreas como política, cultura, esporte e ação humanitária, poderão atuar no interior da escola. Cada estudante tem direito a votar em duas entidades. As que superam a cláusula de barreira de 120 votos são “reconhecidas”.

Ao jornal Le Monde, o estudante e candidato à presidente da associação de apoio à Frente Nacional, Aymeric Merlaud, não perdeu a oportunidade de vincular o nome de seu partido ao da escola.

“Estamos muito satisfeitos, pois isso mostra que existe um apoio à FN dentro da SciencesPo. É uma boa notícia para a democracia dentro de nossa escola.”

O “aval” estudantil depende agora apenas de uma apreciação por parte de uma comissão da escola para entrar em vigor, devolvendo à Frente Nacional o status de partido aceito nos meios acadêmicos, como chegou a ocorrer nos anos 90. Sem surpresa, a notícia foi comemorada pela presidente do FN, Marine Le Pen, pré-candidata a presidente da França em 2017 e, por ora, líder nas pesquisas de opinião.

“O FN entra com sucesso arrasador na SciencesPo, como a segunda força política, à frente do PS! Bravo aos estudantes!”, comemorou Marine em sua conta no Twitter.

Segundo o número 2 do partido, Florian Philippot, diz que se trata de uma oportunidade única para recrutar futuros quadros ativos e motivados.

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