Rodrigo Buendia/AFP
Rodrigo Buendia/AFP

Partido de Lenín Moreno pede expulsão da Odebrecht do Equador

Seremos firmes no combate à corrupção, na luta contra a impunidade e no fortalecimento de uma gestão pública transparente, ética e responsável, diz bancada da Aliança País

O Estado de S.Paulo

05 de junho de 2017 | 15h30

QUITO - Dias depois de uma operação da polícia equatoriana contra a corrupção com base nas delações da Odebrecht, o presidente do Equador , Lenin Morenolançou ontem uma frente contra a corrupção no país. No Congresso, o partido do governo, a Aliança País, impulsionou um projeto para expulsar a empresa do país, o que evocou uma medida similar tomada em 2008 na gestão de Rafael Correa

Na Assembleia Nacional, a Aliança País, que tem maioria legislativa, pediu a Moreno que emita um decreto expulsando a Odebrecht do país. Uma medida similar foi tomada por Correa, em 2008, durante a construção de uma hidrelétrica e provocou tensões diplomáticas com o Brasil. O presidente da Assembleia Nacional, o governista José Serrano, quer a expulsão imediata da empresa do país.

“Essa empresa corrupta e corruptora deve sair imediatamente do país, assim como seus dirigentes e representantes”, disse Serrano. 

A Odebrecht retornou ao Equador em 2010. No ano passado, ficou de fora de um consórcio para construir um trecho do metrô de Quito, estimado em US$ 1,5 milhões, em virtude das denúncias de corrupção. 

Na sexta-feira, seis pessoas foram presas suspeitas de corrupção, entre elas um tio do vice-presidente Jorge Glas. O Controlador-Geral da República, Carlos Polit, também teve a prisão decretada, mas está fora do país e tem prerrogativa de foro. 

Segundo Serrano, a Assembleia pretende abrir um processo contra o controlador para retirá-lo do cargo. Para o processo ser aberto, é necessária uma maioria simples. “Também cogitamos de um processo de lei para punir funcionários públicos envolvidos com corrupção”, acrescentou o deputado. 

Frente. Há pouco menos de duas semanas no cargo, o presidente Lenín Moreno, afilhado político de Correa, anunciou ontem a criação da Frente de Transparência e Luta Contra a Corrupção, composta por membros do gabinete e representantes da sociedade civil. 

“Não vamos permitir que nenhum ato de corrupção fique impune. Vamos instalar uma entidade legítima e necessária para que o governo e a sociedade unam forças para construir um país mais honesto e mais transparente”, disse Moreno. 

Participam do gabinete de luta contra a corrupção a ministra da Justiça, Rosanna Alvarado, a chanceler María Fernanda Espinosa e o secretário de Planejamento Andrés Mideros, além de seis representantes de empresas e entidades de classe. 

Em meio ao impacto das denúncias de corrupção da Odebrecht no país, Moreno prometeu que o combate a práticas ilícitas será “implacável”. Segundo o acordo de leniência da empresa com a Justiça americana, foram pagos US$ 33,5 milhões em propina a funcionários do governo equatoriano entre 2007 e 2016, na gestão de Rafael Correa. 

“Peço que examinem com lupa os casos suspeitos e atuem sem pressões e com apego a lei”, pediu Moreno. “ A nossa luta contra a corrupção será implacável.”

O presidente, ao assumir o cargo, prometeu uma intervenção “cirúrgica” para combater casos de corrupção e ontem prometeu buscar ajuda da ONU no combate a desvio de dinheiro público. Amanhã, ele deve se reunir com o secretário-geral,Antonio Guterres. / AFP

 

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