Partido de Morales elege maior número de representantes, mas fica sem maioria

Em uma jornada eleitoral que transcorreu com tranqüilidade, os bolivianos escolheram hoje os 255 membros de uma Assembléia Constituinte que será instalada em 6 de agosto e decidiram em quais departamentos (estados) será implementado um regime autônomo.O Movimento ao Socialismo (MAS), do presidente boliviano Evo Morales, foi o que mais representantes elegeu, mas não terá a maioria nela, segundo uma pesquisa de boca-de-urna.O MAS elegeu 125 dos 255 constituintes. Já a aliança conservadora Podemos e o partido centrista União Nacional garantiram, respectivamente, 78 e 12 representantes. Os outros lugares foram distribuídos entre os partidos minoritários, segundo a pesquisa divulgada pela rede de televisão "ATB".Com relação ao referendo sobre as autonomias regionais, cinco departamentos votaram pelo "não" e quatro, pelo "sim".Depois do fechamento de quase todos as seções eleitorais, que funcionaram durante oito horas, a Corte Nacional Eleitoral (CNE) reportou como único incidente uma manifestação de vários camponeses na cidade de Sucre, capital oficial do país.Os agricultores ocuparam a praça principal da cidade com um protesto contra todos os partidos políticos, uma vez que não tiveram seus candidatos registrados nas listas eleitorais. Devido ao tumulto, a Polícia precisou usar gás lacrimogêneo para dispersar a multidão.O chefe da missão de observadores da Organização dos Estados Americanos (OEA), o colombiano Horacio Serpa, destacou o "civismo" e o "entusiasmo" dos bolivianos.Antes do encerramento da votação, o presidente da Corte Eleitoral, Salvador Romero, disse que era esperada uma alta participação.Cerca de 3,7 dos 9,4 milhões de bolivianos estavam aptos a votar.Como em dezembro, quando ganhou as eleições, o presidente boliviano, Evo Morales, votou na cidade de Vila 14 de Setembro, no Chapare, região de plantadores de coca que se constitui como seu reduto político e sindical.Para Morales eleições apontam par um novo "regime econômicoMorales concedeu uma entrevista coletiva na qual destacou que as duas votações de hoje permitirão uma revolução "pacífica" e a recuperação dos recursos naturais, bem como a fundação de um novo "regime econômico".O líder aimara já nacionalizou os hidrocarbonetos em 1.º de maio e hoje confirmou que em 2 de agosto fará "uma revolução agrária" com seu plano de distribuição de terras e eliminação dos latifúndios ociosos.Segundo Morales, as eleições de hoje também permitirão uma "revolução democrática e pacífica" que evitará confrontos armados internos como os que "há em países vizinhos como o Peru e a Colômbia".Durante o horário de votação, Morales evitou falar sobre o regime de autonomia dos departamentos, mas, durante a campanha, criticou-o duramente, por considerar que se trata de uma reforma encorajada pelas "oligarquias".Os líderes regionais do departamento de Santa Cruz, a região mais próspera da Bolívia, se mostraram otimistas quanto a uma vitória do "sim" no referendo, após a manifestação de mais de 400 mil pessoas na última quarta-feira.O ministro da Presidência, Juan Ramón Quintana, denunciou que nos departamentos de Santa Cruz, Beni e Pando, funcionários regionais que não identificou distribuíram "antenas parabólicas, refrigeradores, fogões, painéis solares, roupas e alimentos" para influenciar nos votos.Segundo Quintana, também houve "intimidação, agressões físicas a instalações do Movimento Ao Socialismo (MAS), chantagem e especialmente um grande desdobramento para enfraquecer a liberdade de escolha".O ex-presidente Jorge Quiroga (2001-2002), líder do conservador e opositor Poder Democrático e Social (Podemos), disse que foi o Governo que "usou e abusou" dos recursos estatais e da ajuda da Venezuela para favorecer os candidatos governistas.Depois de votar em uma escola de La Paz, Quiroga disse que espera uma Assembléia Constituinte em paz e sem intromissões estrangeiras na elaboração da nova Carta Magna, em alusão ao presidente venezuelano, Hugo Chávez.Além da troca de acusações entre o Governo e a oposição, as votações foram marcadas pelo erro do chanceler David Choquehuanca, que depositou na mesma urna votos diferentes para eleger os constituintes e decidir sobre as autonomias.O ministro de Águas, Abel Mamani, não pôde votar porque, como não participou da última eleição, teve seu nome retirado da lista de eleitores.

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