Partido de Mubarak diz estar pronto para dialogar no Egito

Dirigentes, porém, não citam possíveis concessões a manifestantes, que protestam há três dias

Agência Estado

27 de janeiro de 2011 | 14h17

CAIRO - O partido do presidente egípcio Hosni Mubarak disse nesta quinta-feira, 27, estar pronto para um diálogo com os jovens que pelo terceiro dia consecutivo realizam protestos contra o governo.

 

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Safwat El-Sherif, secretário-geral do Partido Nacional Democrático, também pediu que as forças de segurança e os manifestantes sejam moderados, durante uma manifestação marcada para ocorrer após as orações da sexta-feira.

 

El-Sherif, porém, não ofereceu nenhuma concessão aos manifestantes que querem a deposição do presidente. Também não falou sobre suas reclamações pela fome, o desemprego e a pobreza no país. "A minoria não impõe sua vontade sobre a maioria", afirmou o secretário-geral, bastante próximo de Mubarak.

 

Nesta quinta, manifestantes egípcios lançaram coquetéis molotov em um quartel dos bombeiros na cidade de Suez. O local pegou fogo, segundo um fotógrafo da agência de notícias France Presse.

 

Centenas manifestavam-se nas proximidades do quartel dos bombeiros, exigindo a libertação de 75 pessoas detidas desde os protestos da última terça-feira contra o governo.

 

Os protestos contra Mubarak, que está há quase 30 anos no poder, irromperam na terça-feira e foram os maiores do país em mais de quatro décadas. Seis pessoas morreram nos enfrentamentos entre os manifestantes e as forças de segurança, que disseram ter detido mais de mil pessoas. O país realiza eleições presidenciais neste ano, mas Mubarak não anunciou se concorrerá ao cargo por mais seis anos.

 

Os distúrbios, batizados de "Dia da Fúria" por alguns ativistas na internet, foram inspirados na "Revolução do Jasmim", que derrubou o presidente da Tunísia, Zine El Abidine Ben Ali, há duas semanas. No Iêmen também foram registradas manifestações nesta quinta.

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