Ammar Awad/Reuters
Ammar Awad/Reuters

Netanyahu vence, mas sem maioria para governar Israel

Primeiros resultados da eleição mostram que bloco do primeiro-ministro terá dificuldades para formar uma coalizão

Redação, O Estado de S.Paulo

23 de março de 2021 | 17h38
Atualizado 23 de março de 2021 | 22h08

JERUSALÉM - Projeções com base nos primeiros resultados da eleição desta terça-feira, 23, em Israel indicaram que o Likud, partido do primeiro-ministro, Binyamin Netanyahu, obteve o maior número de deputados no Parlamento. O cenário político fragmentado, porém, mostra que o premiê terá dificuldades para formar um governo.

Segundo a média das três sondagens mais importantes do país – dos canais 11, 12 e 13 –, o Likud elegeu 30 parlamentares de um total de 120. Em segundo lugar vem o partido Yesh Atid, de Yair Lapid, com 18 cadeiras. Em seguida, praticamente empatados na terceira posição, um grupo de dez legendas que devem fazer entre 9 e 6 deputados.

De acordo com as regras eleitorais de Israel, o próximo primeiro-ministro será aquele que conseguir apoio de 61 parlamentares. Por isso, na contagem final, é mais importante saber qual bloco obteve mais votos: o grupo conservador, que apoia o premiê, ou a coalizão informal anti-Netanyahu.

O grupo do premiê, composto pelo Likud e por partidos religiosos, teria 53 deputados. O restante elegeria 60. Na posição de fiel da balança ficou o partido Yamina, liderado por Naftali Bennett, ex-ministro de Netanyahu, que deve obter 7 cadeiras. É pouco provável que Bennett mude de lado. Mas, mesmo com o apoio dele, o premiê não conseguiria formar uma coalizão.

Bennett já ocupou vários cargos em governos de Netanyahu: foi ministro da Educação, da Economia e da Defesa. É um político de direita, como o premiê. Mas, apesar do longo histórico de cooperação entre os dois, eles têm uma lista de desavenças públicas – Bennett se diz mais conservador do que Bibi.

Na segunda-feira, véspera da eleição, os dois trocaram farpas. Netanyahu, que está no poder desde 2009 e luta contra vários escândalos de corrupção, pediu que Bennett assumisse um compromisso de não formar uma coalizão com o bloco opositor. O ex-ministro respondeu que compromissos para Netanyahu não valem nada.

“É a mesma coisa que apertar o botão ‘Não Estou Dirigindo’ do Waze”, afirmou Bennett, em referência ao aplicativo. O ex-ministro, no entanto, disse várias vezes que “não descarta a possibilidade” de negociar com Netanyahu. “É improvável que Bennett prefira trabalhar com a coalizão alternativa e passe para o lado dos partidos anti-Netanyahu”, disse o cientista político israelense Emmanuel Navon. “Faria pouco sentido para Bennett.”

“Farei apenas o que for melhor para o Estado de Israel”, disse Bennett  nesta terça-feira, em uma breve declaração, após a divulgação dos resultados de boca de urna. No quartel-general do Likud, porém, o clima era de vitória, com os partidários do premiê confiantes de que o acordo é apenas uma questão de tempo. “Está muito claro que a maioria dos israelenses é de centro-direita e deu ao Likud e aos partidos de direita uma grande vitória”, disse o primeiro-ministro.

Mas, se o caminho de Bibi é difícil, o da oposição é ainda mais duro. A única coisa que une o grupo é a rejeição ao premiê. Por isso, mesmo que ele não consiga formar um governo, dificilmente o bloco anti-Netanyahu – composto por partidos de esquerda, árabes e conservadores dissidentes – chegaria a um consenso.

No entanto, se conseguir tirar mais um coelho da cartola e formar uma nova coalizão, Netanyahu terá levado a política de Israel ainda mais para a direita. A demografia do país vem mudando rapidamente, com o aumento da população de ultraortodoxos e de novos imigrantes conservadores vindos da Europa, principalmente da Rússia.

O Partido Trabalhista, de esquerda, liderado por figuras históricas como David Ben-Gurion, Golda Meir e Yitzhak Rabin, que dominou a política israelense no século 20, deve eleger apenas 7 deputados, uma pálida caricatura do que já foi. Se ninguém romper o impasse, Israel terá em breve uma quinta eleição em menos de dois anos. / REUTERS, NYT e AP

 

 

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