Nico Lanese / EFE
Nico Lanese / EFE

Partido de Salvini anuncia moção de censura contra primeiro-ministro italiano

Crise política no país foi desencadeada pelo rompimento da coalizão no governo

Redação, O Estado de S.Paulo

09 de agosto de 2019 | 10h51

ROMA - A Liga, partido do ministro do interior italiano, Matteo Salvini, anunciou nesta sexta-feira, 9, uma moção de censura contra o primeiro-ministro da Itália, Giuseppe Conte, o qual até então apoiava em coalizão com o Movimento Cinco Estrelas (M5S).

A ação ocorre em meio a uma crise política que se desencadeou no país após Salvini afirmar, na quinta-feira, que a aliança no governo estava rompida e pedir que as eleições fossem antecipadas. "Não há mais maioria do governo (...) demos a palavra aos eleitores", exigiu o vice-presidente.

A implosão da coalizão de governo mergulhou a Itália em incertezas nesta sexta-feira. O país deverá ter novas eleições em breve, como pediu Salvini, mas não estava claro quando, nem sob qual governo.

O Parlamento está no recesso de verão, mas Salvini quer que os parlamentares sejam chamados de volta a Roma para uma votação na semana que vem, sob o argumento de que a coalizão se tornou inviável depois de meses de conflitos abertos.

O rompimento teve início na quarta-feira, após uma votação no Senado sobre o projeto de uma linha de trem de alta velocidade entre Itália e França. Na ocasião, os aliados votaram em sentidos opostos. O M5E ficou em minoria contra a proposta, que foi aprovada como Salvini pediu.

Com o rompimento, o Senado deve se reunir em 20 de agosto para oficializar a queda do governo, segundo a agência italiana AGI. Nesse caso, o Parlamento seria dissolvido em alguns dias e novas eleições seriam convocadas no prazo entre 50 e 70 dias, conforme a Constituição da Itália.

As pesquisas apontam que, em caso de novo pleito, Salvini teria cerca de 36% das intenções de voto, podendo governar sozinho com o apoio do nanico Fratelli d'Italia. Já o M5E teria apenas 17%, menos da metade do que obteve nas legislativas de março de 2018.

O M5S e a Liga começaram a governar juntos em 1.º de junho de 2018, após as eleições de 4 de março deste ano, mas durante esse período já tiveram vários desentendimentos.

Estratégia

Com seu slogan “os italianos primeiro”, repetido com insistência nas redes sociais, Salvini, que já foi um independentista da Lombardia, dinamitou a direita italiana, dividiu suas aliados e agora espera governar sozinho.

Esse italiano de 46 anos, que chegou em 2013 à liderança de um partido à beira do abismo, fez da Liga (a antiga Liga Norte) uma formação nacionalista de sucesso que superou nas urnas seu aliado Silvio Berlusconi (direita), que ele deixou de lado para formar uma maioria governamental com o M5S.

Seu anúncio pegou de surpresa seu sócio no governo, Luigi Di Maio, dirigente do M5S. Na noite de quinta-feira, Salvini praticamente lançou uma campanha eleitoral durante um comício em Pescara (centro).

A decisão irritou Conte e Di Maio, que acusaram o ministro do Interior de querer tirar proveito de seus bons resultados nas pesquisas, deixando de lado o bem-estar dos italianos.

“É uma brincadeira que não tem graça nenhuma. Os italianos já estão sentindo as consequências” com uma alta das taxas de juros da dívida italiana, disse o colunista Claudio Tito no jornal La Repubblica. /AFP, EFE e Reuters

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