Shannon Stapleton/AP
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Partido de Sarkozy pede que Strauss-Kahn deixe cargo

'Assunto deveria ser resolvido nos próximos dias', diz líder da UMP; presidente pede cautela

Priscila Arone - Agência Estado

18 de maio de 2011 | 14h08

PARIS - O presidente do partido governista francês, Jean-Francois Cope, juntou-se aos apelos internacionais para que Dominique Strauss-Kahn deixe a direção do Fundo Monetário Internacional (FMI), apesar de pesquisas de opinião na França terem mostrado que a maioria dos franceses acredita que sua prisão foi resultado de uma conspiração.

 

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"Eu não vejo como ele pode cumprir seu mandato como diretor-gerente do FMI", afirmou Cope, líder da União por um Movimento Popular (UMP). "Então, por definição, o assunto deveria ser resolvido nos próximos dias." O comunicado foi feito no momento em que políticos franceses tentam definir como reagir à prisão de Strauss-Kahn, que está numa cela do presídio de Rikers Island, em Nova York, sob a acusação de agressão sexual.

 

O presidente Nicolas Sarkozy aparece como o potencial beneficiário do incidente, já que Strauss-Kahn era visto como o candidato mais promissor do opositor Partido Socialista à eleição presidencial, marcada para o ano que vem. Até agora, porém, Sarkozy pediu aos aliados que evitem explorar a prisão de Strauss-Kahn.

 

'Operacional'

 

Embora o secretário do Tesouro norte-americano, Timothy Geithner, tenha dito na noite de terça que Strauss-Kahn "obviamente não está em posição de dirigir o FMI", o porta-voz do governo francês, François Baroin, declarou em coletiva de imprensa nesta quarta que "o FMI está operacional".

 

Parte da cautela deve-se à descrença por parte de muitos franceses. Uma pesquisa realizada na segunda-feira e publicada pela empresa CSA mostrou que 57% dos entrevistados acham que Strauss-Kahn foi vítima de um complô e apenas 32% acham que não. O levantamento também mostrou que a perspectiva de reeleição de Sarkozy no ano que vem foi reforçada com a provável saída de Strauss-Kahn.

 

Sem parar

 

A mídia francesa vem cobrindo o fato sem parar desde domingo, mostrando imagens de Strauss-Kahn num tribunal de Manhattan, o que deu início a algumas reclamações na França, onde a mídia não pode transmitir imagens de pessoas algemadas a menos que tenham sido condenadas por um tribunal. "Nada justifica que um homem seja jogado aos cães desta forma", escreveu Bernard-Henry Levy, escritor, filósofo e amigo de longa data de Strauss-Kahn, na revista Le Point.

Strauss-Kahn teve seu pedido de fiança negado na segunda-feira, depois que promotores de Manhattan o acusaram de sete crimes pelo suposto ataque a uma camareira em Nova York.

 

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As informações são da Dow Jones

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