Partido de Sharif rejeita reconciliação

?Democracia e ditadura não podem coexistir?, diz líder da Liga Muçulmana, após apelo de Musharraf por união

REUTERS E AP, O Estadao de S.Paulo

07 de agosto de 2025 | 00h00

O partido do ex-primeiro-ministro paquistanês Nawaz Sharif descartou ontem a possibilidade de uma reconciliação com o presidente Pervez Musharraf, um dia após a Suprema Corte permitir que ele volte de seu exílio em Londres antes de cruciais eleições. Musharraf, que tenta ser reeleito para um segundo mandato de cinco anos pelo atual Parlamento antes de 15 de outubro, vem defendendo a necessidade de esquecer o passado e de os moderados se unirem para derrotar o extremismo islâmico."Não há nenhuma chance de reconciliação" com Musharraf, disse Sadique al-Farooq, um membro de alto escalão da Liga Muçulmana do Paquistão, de Sharif. "Isso está fora de questão, democracia e ditadura não podem coexistir."Apesar da decisão do Supremo, funcionários do governo disseram que, se Sharif voltar, pode ser preso por causa das várias acusações - entre elas, corrupção e traição - pelas quais foi sentenciado à pena perpétua antes de ir para o exílio. Sharif disse na quinta-feira em Londres que não tem medo das acusações e voltará o quanto antes. Ele planeja liderar seu partido nas eleições legislativas previstas para o final do ano ou o início de 2008. Tanto a Liga Muçulmana do Paquistão como o Partido do Povo Paquistanês, da ex-primeira-ministra Benazir Bhutto (também exilada em Londres), devem obter bons resultados nas eleições legislativas.Segundo o jornal paquistanês News, o retorno de Sharif pode prejudicar os esforços de Musharraf para manter-se no poder, algo vital para a estratégia dos EUA contra o terrorismo e para a pacificação do Afeganistão. O general Musharraf, que tomou o poder num golpe em 1999, enfrenta um crescente descontentamento da população, que exige o retorno da democracia.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.