Khin Maung Win/AP
Khin Maung Win/AP

Partido de Suu Kyi concorrerá nas próximas eleições de Mianmar

Legenda pró-democracia havia boicotado pleitos anteriores em protesto ao regime militar

Reuters

18 de novembro de 2011 | 14h26

RANGUN - O partido da líder pró-democracia em Mianmar Aung San Suu Kyi, que boicotou as eleições gerais do ano passado, disse nesta sexta-feira, 18, que vai concorrer nas próximas eleições suplementares, no mais recente sinal de aproximação política com o novo governo do país.

 

Veja também:

linkObama sinaliza reaproximação com Mianmar

 

O Comitê Executivo Central do partido Liga Nacional para a Democracia (LND), de 106 membros, votou por unanimidade para registrar a legenda, que foi oficialmente dissolvida no ano passado pelo regime militar, e concorrer nas próximas eleições suplementares. Nenhuma data foi anunciada para a realização das eleições suplementares, mas a previsão é que sejam marcadas até o final do ano.

 

Em uma reunião para decidir se faria o registro do partido novamente, Suu Kyi disse aos membros que era a favor de disputarem cadeiras na Câmara, mas não falou se ela mesma estaria interessada em se tornar membro do Parlamento. "Em minha opinião, gostaria que o partido se registrasse novamente e concorresse nas eleições suplementares em todos os 48 distritos eleitorais", disse ela no encontro, que contou com a participação de jornalistas.

 

A LND, a maior força de oposição de Mianmar, venceu as eleições em 1990 por ampla margem, mas os militares se recusaram a ceder o poder e, nas duas décadas seguintes, suprimiram as atividades do partido, colocando muitos de seus membros na prisão.

 

O partido boicotou a eleição seguinte, realizada em 7 de novembro do ano passado, por causa de leis rígidas que impediram muitos de seus membros de participar. Como resultado, as autoridades oficialmente o dissolveram, mas ele continuou funcionando e obtendo forte apoio do público.

 

O caso Suu Kyi

 

Mianmar recentemente alterou a lei dos partidos políticos com a remoção de uma cláusula que impedia qualquer condenado por um crime de aderir a um partido ou participar de uma eleição, abrindo o caminho para aqueles que estiveram presos, incluindo Suu Kyi, concorrerem nas eleições.

 

Suu Kyi, filha do falecido herói da independência Aung San e adversária ferrenha dos ditadores militares, passou 15 dos 21 anos anteriores sob prisão domiciliar até ser libertada há um ano. Laureada com o Prêmio Nobel da Paz, ela possui considerável influência sobre o partido e a votação unânime em apoio ao seu ponto de vista era amplamente esperada.

 

Fontes do LND afirmam que o partido estava dividido sobre concorrer à eleição do ano passado, mas votou de forma unânime pelo boicote depois de Suu Kyi afirmar que ela "nem sonharia" em participar.

 

A decisão de alterar as leis do partido foi amplamente vista como um movimento para colocar a LND no novo aparato legislativo de Mianmar, que tem operado mais livremente que o esperado e permitido o debate público que era proibido no regime militar. Mas mesmo que o partido vença nas eleições suplementares, ainda será uma voz minoritária em um parlamento dominado por soldados e aliados dos militares. 

Tudo o que sabemos sobre:
Aung San Suu KyiSuu KyiásiaMianmar

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.