Partido do sul do Sudão retira-se de governo com o norte

Decisão acirra embate entre regiões; observadores dizem que guerra civil seria pior do que situação em Darfur

Agência Estado e Associated Press,

11 de outubro de 2007 | 18h41

O partido governista da região autônoma do sul do Sudão retirou-se nesta quinta-feira, 11, do governo de unidade nacional com o norte do país, aplicando um duro golpe contra um frágil acordo de paz que encerrou duas décadas de guerra civil. O Movimento de Libertação do Sul do Sudão acusou Cartum de estar retendo a implementação do Amplo Acordo de Paz de 2005, especialmente as provisões referentes às fronteiras entre o norte e o sul, uma questão bastante sensível porque abrange algumas das áreas de maior produção de petróleo do país. A deterioração do acordo de paz entre o norte e o sul do Sudão tem alimentado preocupações em governos estrangeiros. A questão vinha sendo ofuscada pelo conflito na região de Darfur, no oeste do país. Observadores advertem que a retomada da guerra entre o norte e o sul do Sudão afetaria o país como um todo, causando ainda mais sofrimento do que o provocado pelo conflito em Darfur. "O Movimento de Libertação do Sul do Sudão retirou todos os ministros e todos os conselheiros presidenciais do governo de unidade nacional", disse o secretário-geral do partido, Pagan Amum, em entrevista concedida à Associated Press em Juba, capital do sul sudanês. "Nós estamos trabalhando para evitar a volta da guerra, esse é o centro da condução da crise atual," disse Pagan Amun.  De acordo com ele, os 18 ministros e três conselheiros do Movimento de Libertação do Sul do Sudão ficarão afastados do governo central até que o norte pare de "violar" o acordo de paz e mostrem disposição para implementar seus dispositivos. O governo central, estabelecido em Cartum, e a Organização das Nações Unidas (ONU) ainda não se pronunciaram sobre o anúncio do Movimento de Libertação do Sul do Sudão. Acordo de paz Diplomatas estrangeiros têm advertido há meses para o risco de colapso do Amplo Acordo de Paz de 2005. O tratado encerrou duas décadas de guerra civil entre o norte árabe muçulmano e o sul cristão e animista. A guerra civil foi o mais sangrento conflito da história recente da África. Mais de 2 milhões de pessoas morreram em episódios de violência e por casos relacionados de doenças e desnutrição.

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