Eugene Hoshiko/AP
Eugene Hoshiko/AP

Partido governante do Japão elege Yoshihide Suga como sucessor de Shinzo Abe

Vitória abre as portas para que o político seja eleito o novo primeiro-ministro em votação no Parlamento ainda nesta semana, após renúncia formal de Abe

Redação, O Estado de S.Paulo

14 de setembro de 2020 | 04h07
Atualizado 14 de setembro de 2020 | 13h27

TÓQUIO - Yoshihide Suga, aliado de longa data do atual primeiro-ministro do Japão, Shinzo Abe, venceu as eleições internas do Partido Democrático Liberal, que governa o país, nesta segunda-feira, 14. A vitória abre o caminho para que Suga seja eleito o novo primeiro-ministro em votação no Parlamento ainda nesta semana. 

Suga, de 71 anos, foi secretário-chefe de gabinete durante os quase oito anos de mandato de Shinzo Abe e já declarou que vai dar continuidade às políticas monetárias, medidas de controle de gastos e linha diplomática centrada na aliança EUA-Japão que marcaram o governo do primeiro-ministro.

Atual secretário-geral do governo e conselheiro de Abe, Suga recebeu 377 votos, contra 89 para o ex-ministro das Relações Exteriores Fumio Kishida e 68 para o ex-ministro da Defesa Shigeru Ishiba, anunciou o partido. A votação desta segunda-feira teve a participação de apenas 535 eleitores: os parlamentares do Partido Democrático Liberal e os representantes do partido nas 47 prefeituras do país. 

Uma votação mais ampla,  com a participação das bases do partido, foi evitada pelo partido alegando que teria sido algo muito complexo para organizar de maneira rápida. O formato reduzido beneficiou Suga, que setores importantes do partido consideram um sinônimo de estabilidade e e continuidade da política de Abe. "Com esta crise do coronavírus, não podemos nos permitir um vazio político", declarou Suga, antes de destacar que tem como "missão" prosseguir com o programa de governo do atual primeiro-ministro.

Abe, o premiê mais longevo da história do Japão, anunciou que deixaria o cargo por motivos de saúde no fim de agosto, faltando um ano de mandato. A renúncia formal deve ser feita na próxima quarta-feira, 16.

Com 65 anos, Abe bateu recordes de permanência no cargo de primeiro-ministro (mais de oito anos em dois mandatos) e se recusou a expressar apoio a qualquer candidato. Mas após a votação desta segunda, expressou "apoio total" a Suga, que segundo ele "trabalhou de maneira dura e discreta pela nação e o povo" em seu cargo anterior.  "Vamos construir um Japão que brilhe e supere a crise do coronavírus com Suga como líder", completou. 

Desafios de Suga

O próximo chefe de Governo terá que administrar uma série de desafios particularmente complexos. O Japão já estava em recessão antes da pandemia de coronavírus e muitas conquistas da política econômica do atual primeiro-ministro, chamada de "Abenomics", estão em risco. 

Suga declarou que a recuperação da economia será uma prioridade absoluta, assim como a contenção do vírus, essencial para a celebração dos Jogos Olímpicos de Tóquio-2020, adiados para o próximo ano. 

Os desafios diplomáticos também são importantes, sobretudo a preservação da aliança com os EUA e a atitude que deve ser adotada a respeito da China, enquanto a opinião pública mundial passou a ter uma postura mais rígida com Pequim após a propagação do coronavírus e os distúrbios políticos em Hong Kong.

"É um período difícil para o Japão, pois o governo americano está exercendo pressão sobre a China", destacou Makoto Iokibe, professor de Historia Política e Diplomática na Universidade de Hyogo. "Ao Japão não interessa simplesmente seguir o caminho de  Washington e aumentar as tensões com a China", explicou.

Futuro político

Ninguém sabe se Yoshihide Suga decidirá convocar eleições legislativas antecipadas para consolidar sua posição e evitar que seja considerado um primeiro-ministro interino até a celebração das eleições previstas para 2021, quando terminaria o mandato de Abe. Várias autoridades governamentais mencionaram a possibilidade de legislativas antecipadas, talvez a partir de outubro, mas Suga não falou nada sobre o assunto até o momento. 

Grande parte da oposição japonesa, que está fragmentada, estabeleceu um novo bloco na semana passada, em sinal de desafio ao Partido Democrático Liberal, que passou a maior parte das últimas seis décadas no poder. No caso de novas eleições, o Partido Democrático Liberal figura como favorito, apesar de Suga não ser considerado muito carismático. / AFP e REUTERS 

 

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