Partido governista da Turquia lidera contagem parcial

O partido governista da Turquia lidera por ampla margem as eleições parlamentares realizadas neste domingo de acordo com uma contagem parcial dos votos, informou a televisão estatal, abrindo caminho para um terceiro mandato em que o governo espera fazer uma revisão da Constituição da era militar.

AE, Agência Estado

12 de junho de 2011 | 14h23

Entretanto, os resultados indicam que o Partido da Justiça e Desenvolvimento, do primeiro-ministro Recep Tayyip Erdogan, não deve conseguir a maioria de dois terços no Parlamento, o que o forçaria a buscar apoio para uma mudança constitucional junto a outros grupos políticos.

Com metade dos votos contabilizados, o partido de Erdogan tinha 52%, informou a TRT. O Partido Republicano do Povo, principal grupo de oposição, tinha 22% dos votos.

O TRT disse que outro partido de oposição, o Ação Nacionalista, tinha 13% dos votos, sugerindo que ele pode permanecer no Parlamento ao superar o mínimo de 10% que visa a manter de fora partidos menores.

Um total de 15 partidos e 200 candidatos independentes disputam 550 assentos para mandatos de quatro anos no Parlamento, sendo que as pesquisas realizadas até agora indicam que o Partido da Justiça e Desenvolvimento, do primeiro-ministro Recep Tayyip Erdogan, deve conseguir nova vitória.

Cerca de 50 milhões de turcos, ou dois terços da população, podem votar. As últimas urnas fecharam às 17h (11h, no horário de Brasília) na região oeste da Turquia. Os resultados só podem ser divulgados a partir das 21h (15h de Brasília).

Pela primeira vez, os eleitores colocaram seus votos em caixas plásticas transparentes em que os envelopes amarelos podiam ser vistos. A medida foi tomada para impedir qualquer alegação de fraude. Em eleições passadas, caixas de madeira foram usadas.

"Nós falamos, e agora é a hora de o povo falar", disse Erdogan em Istambul. "Para nós, essa será a decisão mais honrosa e que terá que ser respeitada. Até onde eu sei, o processo de eleição está acontecendo em todo o país sem problemas."

A agência de notícias Anatolia divulgou depois que a polícia prendeu 34 pessoas na província de Batman por supostamente tentarem convencer as pessoas a voltar pelo Partido da Paz e Democracia, um partido curdo acusado por autoridades de ligações com os rebeldes curdos.

Erdogan prometeu que uma nova Constituição incluirá "direitos e liberdades básicos", substituindo uma Constituição implementada sob a tutela do Exército em 1982. Entretanto, ele forneceu poucos detalhes sobre isso.

O governo tem raízes islâmicas, fonte de suspeitas entre círculos seculares que já dominaram a Turquia e temem que Erdogan busque impor a religião à sociedade. As informações são da Associated Press.

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