AFP PHOTO / Phyo Hein Kyaw
AFP PHOTO / Phyo Hein Kyaw

Partido governista de Mianmar reconhece derrota em eleições

O anúncio dos resultados nos 12 primeiros locais foram vencidos pela Liga Nacional da Democracia, da ganhadora do Nobel da Paz Aung San Suu Kyi

O Estado de S. Paulo

09 de novembro de 2015 | 08h43

YANGUN, MIANMAR - O partido governista de Mianmar reconheceu nesta segunda-feira, 9, a derrota nas eleições gerais, a medida que a oposição liderada pela líder pró-democracia Aung San Suu Kyi caminhava para uma vitória que garantirá a formação do próximo governo.

"Perdemos", disse o presidente em exercício do Partido União, Solidariedade e Desenvolvimento, Hatay Oo, em entrevista um dia após a primeira eleição nacional livre do país em 25 anos.

“Eu não estava esperando esse resultado porque conseguimos fazer muitas coisas para as pessoas dessa região”, disse Oo. “De qualquer forma, essa é a decisão do povo.”

Ele afirmou ainda que o longo período que Aung San passou em detenção sob a antiga junta “inflaram a popularidade dela”.

A comissão eleitoral começou posteriormente a anunciar os resultados parciais eleitorais de domingo. Todos os 12 primeiros locais anunciados foram vencidos pela Liga Nacional da Democracia, da ganhadora do Nobel da Paz Aung San.

A Liga informou que, a partir de sua própria contagem de votos pelo país, estava a caminho de obter mais de 70% dos assentos no Parlamento, mais de dois terços do necessário para formar o primeiro governo de Mianmar eleito de forma democrática desde os anos 1960.

“Ganhamos mais de 70% dos votos”, disse Win Htein. Aung San pediu cautela a seus seguidores antes do anúncio oficial pela Comissão Eleitoral dos resultados preliminares, que será realizado nesta noite.

"Eles precisam aceitar os resultados, embora não queiram", disse o porta-voz da Liga Win Htein, acrescentando que na altamente populosa região central o partido estava a caminho de conquistar mais de 90% dos assentos.

Embora a eleição pareça uma derrota decisiva para o atual governo, um período de incerteza ainda paira sobre o país, porque não é certo como Suu Kyi irá compartilhar o país com o Exército, ainda dominante.

O presidente do Parlamento de Mianmar e número três da última junta militar, Shwe Mann, também admitiu sua derrota, o que lhe impedirá de renovar sua cadeira, meses após ser afastado da cúpula do partido governamental.

Mann, candidato do Partido da Solidariedade e do Desenvolvimento para a União (USDP), era um dos favoritos à presidência, mas em julho foi retirado da direção da legenda pelo setor governista do presidente Thein Sein.

O presidente do Legislativo, considerado próximo à líder opositora Aung San Suu Kyi, foi cassado depois que apoiou uma moção para eliminar o poder de veto dos militares, aos quais a Constituição reserva 25% das cadeiras.

A oposição indicou que as irregularidades mais comuns durante o pleito foram ausência de eleitores nas listas eleitorais e a chegada de votos antecipados após o fechamento das escolas, implicando em sua invalidação. /REUTERS e EFE

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