Partido governista do Haiti retira candidatura de Jude Celestin à presidência

Decisão leva ex-primeira-dama Mirlande Manigat e cantor Michel Martelly à disputa pelo segundo turno

Efe

26 de janeiro de 2011 | 18h29

PORTO PRÍNCIPE - O partido governista do Haiti, Inite, retirou nesta quarta-feira, 26, sua candidatura à presidência do país e, com isso, a ex-primeira-dama Mirlande Manigat e o cantor Michel Martelly disputarão o segundo turno das eleições, segundo um comunicado da direção do partido.

 

A legenda política expressa seu agradecimento ao candidato governista, Jude Celestin - que não assina o comunicado -, por "entender a situação", ao mesmo tempo em que pede à coordenação do partido, seus membros, simpatizantes e à população haitiana a permanecer "calma" e "manter a mobilização".

 

Por outro lado, o Inite anunciou que vai continuar a "batalha para assegurar a vitória de seus candidatos ao Senado e à Câmara dos Deputados no segundo turno que está programado".

O partido governista seguiu as recomendações da Organização dos Estados Americanos (OEA), que elaborou um relatório sobre o primeiro turno do pleito de 28 de novembro e ressaltou a necessidade de Celestin retirar sua candidatura para o segundo turno em benefício de Martelly.

Os resultados oficiais provisórios do primeiro turno tinham dado a Mirlande 31,37% dos votos, enquanto Celestin recebeu 22,48% e Martelly 21,84%.

A OEA, no entanto, diminuiu os votos para os três candidatos diante das irregularidades detectadas e estimou que Mirlande teria 31,6% dos votos, Martelly 22,2% e Celestin 21,9%.

A decisão de retirar a candidatura de Celestin já tinha sido anunciada como possível na terça-feira pelo coordenador do Inite, o senador Joseph Lambert, quem se mostrou partidário de levar em conta "o povo" diante da perspectiva de sanções internacionais, pois, segundo ele, "o país não está pronto para um embargo".

Nas últimas semanas, a comunidade internacional intensificou sua pressão sobre o Governo haitiano através de comunicados nos quais ONU, União Europeia (UE), Estados Unidos e outros países consideraram que o país não tinha como não seguir as recomendações da OEA.

Na sexta-feira passada, Washington revogou os vistos de vários funcionários do Governo de René Préval e nesta quarta-feira, o secretário-geral adjunto da OEA, Albert Ramdin, afirmou que haverá uma "preocupação real" se o Haiti não aplicar as citadas recomendações para o segundo turno das eleições.

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