Partido governista do Sudão diz que referendo no Sul foi 'justo'

Dirigente político afirma que Cartum apoiará Sudão do Sul caso independência seja aprovada

Reuters

14 de janeiro de 2011 | 10h04

CARTUM - Um importante dirigente do norte do Sudão disse na sexta-feira, 14, que o referendo sobre a independência do sul foi amplamente justo, e que o partido governista ao qual ele pertence aceitará a provável secessão.

"Estamos satisfeitos com o processo e, como foi declarado pelo presidente (Omar Hassan) al-Bashir, vamos respeitar o resultado do referendo... Provavelmente será pela secessão", disse Ibrahim Ghandour, do Partido do Congresso Nacional (PCN).

 

Essas foram as declarações com a postura mais conciliadora até agora por parte de Cartum, o que deve atenuar a tensão política no sul. Alguns analistas vinham alertando que o norte poderia tentar perturbar a votação, na tentativa de manter seu controle sobre as reservas petrolíferas sulistas.

 

Na sexta-feira, o referendo no sul do Sudão entrou no seu penúltimo dia - ele começou domingo passado. As autoridades dizem que o comparecimento já superou o quórum exigido, de 60% do eleitorado, e há ampla expectativa de que vença o "sim" à independência.

 

O referendo é parte de um acordo de 2005 que encerrou décadas de guerra civil entre o sul - de maioria negra e cristã ou animista - contra o norte - árabe e muçulmano. Aquela foi a guerra civil mais longa da África, com um saldo estimado em 2 milhões de mortos e 4 milhões de refugiados.

Ghandour, que é secretário de relações políticas do PCN, disse que a votação no sul foi "amplamente justa", apesar de relatos de que partidários da unidade sudanesa estavam sendo intimadas em áreas remotas do Estado de Bahr el Ghazal, que é parte do sul.

"Acho que até agora o processo está indo tranquilamente. O mais importante é que está indo muitíssimo pacificamente... Penso que alcançaremos os padrões exigidos", afirmou o dirigente. "Ainda esperamos para ver o relatório final dos nossos observadores e dos observadores internacionais."

Ele acrescentou que "se a secessão ocorrer, estamos prontos para apoiar o novo Estado, e esperamos ter relações fraternas com nossos ex-cidadãos."

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