EFE/ Aaron Ufumeli
EFE/ Aaron Ufumeli

Mugabe não retomará presidência, diz fonte de partido governista do Zimbábue

De acordo com membro do alto escalão da União Nacional Africana do Zimbábue - Frente Patriótica, se o líder de 93 anos resistir a deixar o poder, políticos forçarão seu afastamento no domingo e votarão pelo seu impeachment no começo da próxima semana

O Estado de S.Paulo

17 Novembro 2017 | 09h56

HARARE - Líderes do partido do presidente do Zimbábue, Robert Mugabe, estão planejando retirá-lo do cargo à força caso o político de 93 anos resista à pressão do Exército para renunciar, disse uma fonte de alto escalão da legenda nesta sexta-feira, 17.

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Mugabe, fez nesta sexta-feira sua primeira aparição pública desde a intervenção militar no começo da semana. Ele compareceu a uma cerimônia de entrega de diplomas universitários em Harare. 

O político africano de estilo peculiar, único líder que o Zimbábue conhece desde a independência em 1980, insiste que ainda está no poder. Mas a fonte da União Nacional Africana do Zimbábue - Frente Patriótica (ZANU-PF), partido de Mugabe, deixou claro que a legenda quer que ele deixe o poder.

“Se ele permanecer teimoso, arranjaremos para que ele seja afastado no domingo”, disse a fonte. “Quando isso for feito, seu impeachment será na terça-feira.”

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O Herald, jornal oficial do Zimbábue, publicou fotografias na noite de quinta-feira que mostram Mugabe sorrindo e cumprimentando o chefe militar, general Constantino Chiwenga, que tomou o poder esta semana.

Isso sugere que Mugabe estava conseguindo resistir a Chiwenga, com algumas fontes políticas afirmando que ele estava tentando adiar sua saída até as eleições, agendadas para o ano que vem.

A fonte do ZANU-PF afirmou que este não é o caso. Ansiosos para evitar um impasse prolongado, líderes do partido estão esboçando planos para destituir Mugabe no final de semana, caso ele se recuse a sair, disse.

“Não tem volta”, declarou a fonte à agência Reuters. “É como uma partida adiada por fortes chuvas, com o time de casa liderando por 90 a 0 aos 89 minutos de jogo.”

As opções de Mugabe parecem limitadas. O Exército está acampado na capital, Harare. Sua mulher, Grace, está sob prisão domiciliar e seus aliados políticos estão sob custódia militar. A polícia, que já foi bastião de apoio, não mostrou sinais de resistência.

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Além disso, Mugabe tem pouco apoio popular na capital e a oposição está fortalecida, explorando a raiva e a frustração com a condução da economia, que entrou em colapso após a tomada de controle de fazendas de propriedade de brancos em 2000.

O desemprego está agora em quase 90%. A escassez crônica de moeda forte está levando o preço dos importados a subirem até 50% ao mês.

Em comunicado transmitido pela televisão nacional, o Exército disse estar “evoluindo” nas discussões com Mugabe e prometeu anunciar uma resolução assim que possível.

Os militares parecem querer que Mugabe deixe o cargo discretamente e permita uma transição suave e sem violência para Emmerson Mnangagwa, o vice-presidente, cuja destituição na semana passada levou à tomada do poder pelo Exército.

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O principal objetivo do Exército é evitar que Mugabe passe o poder à sua esposa, Grace, que pareceu à beira do poder depois que Mnangagwa foi demitido. / AFP, REUTERS e EFE

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