Zinyange Auntony/AFP
Zinyange Auntony/AFP

Partido governista do Zimbábue irá pedir impeachment de Mugabe

Líder do país desde 1980, Robert Mugabe se recusa a deixar o poder, apesar das pressões do governo, de seu partido e da opinião pública

O Estado de S.Paulo

21 Novembro 2017 | 06h59

HARARE - O partido governista do Zimbábue, Zanu-PF, notificou oficialmente o presidente Robert Mugabe sobre sua remoção da presidência do partido e vai apresentar uma proposta de impeachment contra ele, após o prazo para sua renúncia expirar, disse o porta-voz Simon Moyo nesta terça-feira, 21.

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No domingo, o Zanu-PF tirou Mugabe do poder, que liderou o partido desde 1977 e comandou o Zimbábue por 37 anos. A legenda também demitiu a esposa de Mugabe, Grace, marcando uma dramática semana após as Forças Armadas tomarem o país na quarta-feira, 15.

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Também nesta terça, o ex-vice-presidente do país, Emmerson Mnangagwa, destituído há duas semanas, pediu que o presidente Robert Mugabe renuncie e assegurou que não retornará a seu país até que sua segurança esteja garantida. Mnangagwa foi destituído em 6 de novembro, por iniciativa da primeira-dama, Grace Mugabe, com quem competia para suceder o presidente, de 93 anos.

"Convido o presidente Mugabe a considerar os pedidos feitos pelo povo para sua renúncia de forma que o país possa avançar", afirmou Mnangagwa em uma declaração divulgada à imprensa. 

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Crise. Sua expulsão provocou a intervenção das Forças Armadas, que controlam o país desde 15 de novembro. Robert Mugabe se recusa a deixar o poder, apesar das pressões do governo, de seu partido e da opinião pública. Em um discurso televisionado no domingo à noite, o chefe de Estado mais velho do planeta, com 93 anos, novamente ignorou as ameaças e recusou-se - ao contrário das expectativas - a renunciar.

A organização dos veteranos de guerra do Zimbábue convocou protestos em todo o país para tirar "imediatamente" Mugabe do poder. "Toda a população deve abandonar o que está fazendo e ir para a Casa Azul", disse Chris Mutsvangwa, chefe dos veteranos, em referência à residência privada do líder do país. 

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