Partido governista lidera resultados parciais na África do Sul

Com 3 milhões de votos contabilizados, governistas aparecem com 63%; legenda dissidente está em 3º lugar

Agências internacionais,

23 de abril de 2009 | 04h34

O governista Congresso Nacional Africano (CNA) aparece na frente com base nos resultados preliminares das eleições ocorridas na África do Sul na quarta-feira, 22. Jacob Zuma deve ser eleito presidente, uma escolha que cabe aos deputados no país. Nesse sentido, pode-se falar em continuidade, já que todos os presidentes desde a eleição de Nelson Mandela, há 15 anos, eram do CNA.

 

Veja também:

Lapouge: Zuma, um populista duas caras fiel à África tradicional

África do Sul não sabe quem será a primeira-dama do país

lista Candidatos sul-africanos e principais desafios do país

lista Perfil: O guerreiro zulu que conduzirá a África do Sul

 

Segundo a Comissão Eleitoral Independente (CEI), o CNA aparece com 2.078.352 (63%) dos votos apurados, quase dois terços da Assembleia Nacional, o que lhe possibilitaria reformar a Constituição sem recorrer a alianças. Com isso, Jacob Zuma, o controvertido líder do CNA, se transformaria no próximo presidente da África do Sul.

Os últimos dados da CEI assinalam que foram apurados 3.304.062 votos, que representam 14,2% dos 23.181.275 eleitores registrados no país. Cerca de 80% dos 23 milhões de eleitores sul-africanos compareceram nas urnas - o voto é facultativo. Os resultados finais devem ser divulgados até sexta-feira.

 

O CNA é favorito para vencer a disputa, como fez na primeira eleição pós-apartheid em 1994 e nos outros dois pleitos desde então. Mas os grupos de oposição estão mostrando um forte desempenho. A Aliança Democrática (AD), de Hellen Zile, prefeita branca da cidade do Cabo, tinha cerca de 20% dos votos, de acordo com a contagem inicial. Os resultados preliminares mostram ainda o partido com 54% dos votos na província-chave de Western Cape contra 26% do CNA.

 

O Congresso do Povo (Cope) - fundado no ano passado por uma dissidência do CNA - estava com um pouco mais de 7% dos votos, apesar das expectativas de que representaria um sério desafio para o partido dominante. O Cope é formado por partidários de Mbeki, que disputou - e perdeu - a liderança do CNA para Zuma.

 

O CNA deve essa enxurrada de votos aos anos de luta contra o regime branco e à liderança incontestável de Nelson Mandela, primeiro presidente negro da África do Sul e herói da resistência contra o apartheid. Aos 90 anos, com a saúde debilitada, ele não participa mais ativamente da vida pública, mas compareceu ao último comício de Zuma, que reuniu 100 mil pessoas no Ellis Park, em Johannesburgo, no domingo.

O fato de ter e muitos ex-integrantes da luta antiapartheid, aumentou a expectativa de que o Cope roubasse votos do CNA, mas a impopularidade de Mbeki e as dificuldades de arrecadar dinheiro fizeram a campanha murchar. Pesquisas colocam o Cope em segundo lugar, o que tornaria Mvume Dandala, presidente do partido, o principal líder oposicionista do país.

 

Texto atualizado às 7h25.

Tudo o que sabemos sobre:
África do Suleleições

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.