Partido governista vence eleições na Turquia

O partido governista da Turquia venceu as eleições parlamentares realizadas neste domingo e obteve um terceiro mandato, em que o governo espera expandir o crescimento econômico, fortalecer a diplomacia e revisar a Constituição criada na era militar. Entretanto, os resultados indicaram que o Partido da Justiça e Desenvolvimento, do primeiro-ministro Recep Tayyip Erdogan, não conseguiu a maioria de dois terços no Parlamento, o que o forçará a buscar apoio para uma mudança constitucional junto a outros grupos políticos.

AE, Agência Estado

12 de junho de 2011 | 17h43

Com 99% dos votos contabilizados, o partido de Erdogan tinha 50%, informou a TV estatal TRT. O Partido Republicano do Povo, principal grupo de oposição, tinha 26% dos votos. A TRT disse que outro partido de oposição, o Ação Nacionalista, tinha 13% dos votos, de modo que permanece no Parlamento por superar o mínimo de 10%, que visa a manter de fora partidos menores.

De acordo com o cálculo, o partido da situação ocupará 326 assentos no parlamento de 550 cadeiras, para mandatos de quatro anos. Trata-se de uma maioria confortável, que deve garantir a continuidade. O partido do governo tinha 331 assentos no parlamento. Cerca de 50 milhões de turcos, ou dois terços da população, podem votar. As últimas urnas fecharam às 17h (11h, no horário de Brasília) na região oeste da Turquia.

Milhares de apoiadores do governo se reuniram na noite deste domingo nos arredores da sede do partido em Ancara, cantando slogans pró-governo, com bandeiras, quando Erdogan apareceu para fazer um discurso de vitória na sacada.

O primeiro-ministro recordou o clima de impunidade e caos político que prevaleceu nas últimas décadas na Turquia, estimulado por diversos golpes militares. Mas destacou o desenvolvimento da democracia no país como parte do processo de adesão à União Europeia. "A Turquia que era dirigida por gangues é uma coisa do passado", disse Erdogan.

Apesar de alguns avanços da Turquia durante o mandato de Erdogan, o primeiro-ministro é visto com ceticismo pela oposição. Alguns analistas enxergam lentidão nas reformas e um estilo de liderança autoritário. "Seremos humildes. Nunca demonstramos orgulho ou ostentação", declarou Erdogan, aparentemente numa tentativa de responder às críticas. "Buscaremos consenso com a principal oposição, com a oposição (em geral), com os partidos de fora do parlamento, com a mídia, as ONGs, a academia, com qualquer um que tenha algo a dizer", acrescentou.

Erdogan prometeu que uma nova Constituição incluirá "direitos e liberdades básicos", substituindo uma Constituição implementada sob a tutela do Exército em 1982. Entretanto, ele forneceu poucos detalhes. O governo tem raízes islâmicas, fonte de suspeitas entre círculos seculares que já dominaram a Turquia e temem que Erdogan busque impor a religião à sociedade. As informações são da Associated Press.

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