Partido mexicano defenderá envolvidos na "guerra suja"

O Partido Revolucionário Institucional (PRI) anunciou que defenderá ex-funcionários civis e militares, incluindo o ex-presidente Luis Echeverría, das acusações que sofrem pela participação que tiveram na repressão de supostos grupos guerrilheiros mexicanos nos anos 70 e 80. O partido, que governou o país por mais de 70 anos, também advertiu que "avaliará" sua relação com o presidente Vicente Fox "enquanto se mantiverem vigentes as ações penais contra autoridades civis e militares implicadas na perseguição de guerrilheiros". Após uma reunião de seus mais altos dirigentes, o PRI aprovou documento no qual considera que as investigações do atual governo sobre crimes do passado "carecem de fundamento político" e qualificou as autoridades de "aventureiros políticos" que "ignoram a história". Indicou ainda que a defesa de seus membros estará a cargo de advogados do partido, cuja tarefa será reunir "argumentos que demonstrem a ilegalidade das sanções penais que este governo pretende iniciar". O anúncio do PRI - que perdeu a presidência em 2000 - ocorre dois dias antes do prazo marcado pela promotoria especial que investiga os crimes do passado para solicitar a prisão dos envolvidos em um massacre de estudantes, em 10 de junho de 1971. Entre os supostos responsáveis foi mencionado Luis Echeverría, presidente entre 1970 e 1976. Durante seu governo também ocorreram muitas das perseguições a supostos grupos guerrilheiros e os massacres de estudantes de 1968 e 1971.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.