Nyein Chan Naing/Efe
Nyein Chan Naing/Efe

Partido opositor de Suu Kyi anuncia boicote a eleições em Mianmar

Sigla considera novas regras eleitorais 'não democráticas'; líder opositora não poderá se candidatar

Agência Estado e Associated Press

29 de março de 2010 | 10h06

RANGUM - O partido da líder oposicionista Aung San Suu Kyi decidiu nesta segunda-feira, 29, boicotar as eleições em Mianmar. A Nobel da Paz havia avaliado anteriormente as novas regras eleitorais como "não democráticas".

 

A recusa da Liga Nacional pela Democracia, principal força da oposição, mina a credibilidade da disputa aos olhos dos governos estrangeiros. Autoridades de outros países pediram diplomaticamente à isolada junta militar que garantisse a participação de todos os grupos.

 

Os militares controlam Mianmar desde 1962 e qualificam a eleição deste ano como um "mapa para a democracia". Uma série de regras, porém, impede a participação da própria Suu Kyi. O ícone pela luta democrática ficou 14 dos últimos 20 anos na cadeia ou em prisão domiciliar. Atualmente, está cumpre pena sob prisão domiciliar.

 

O partido de Suu Kyi venceu com folga a última eleição realizada em Mianmar, em 1990. A sigla foi, apesar disso, impedida de chegar ao poder pelos militares.

 

O porta-voz do partido Nyan Win anunciou que, após um encontro com 113 delegados presentes, houve um acordo para que a sigla não dispute a eleição. O funcionário disse que a decisão ocorreu porque as leis eleitorais são "injustas".

 

O porta-voz não deu detalhes, mas o partido antes já se opunha à regra que obrigava as siglas a expulsar membros com condenações criminais, sob o risco de perderem o registro. No ano passado, Suu Kyi foi condenada por permitir que um homem não convidado ficasse em sua casa, o que significa que ela provavelmente teria que deixar a sigla que ajudou a fundar. Suu Kyi ainda é secretária-geral do partido e sua figura principal.

 

A nova lei prevê que os partidos devem se registrar antes da primeira semana de maio. Caso não o façam, perderão o registro. Não há ainda data para a eleição, que, na opinião dos críticos, é apenas um modo de os militares consolidarem seu poder.

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