Partido organizado é o trunfo do fujimorismo

Keiko, após perder as eleições de 2011 para Humala, decidiu investir na formação de base do Fuerza Popular e hoje tem maioria no Congresso

Luiz Raatz, Enviado Especial / Lima, O Estado de S. Paulo

05 Junho 2016 | 05h00

LIMA - Ao fim dos dez anos de governo de Alberto Fujimori, os principais partidos políticos do Peru, como a Apra e a Acción Popular, estavam totalmente desorganizados. Ao longo dos últimos 16 anos, as principais legendas criadas não tinham organização de base e apostavam apenas na figura de um líder como Alejandro Toledo, Ollanta Humala e Pedro Pablo Kuczysnki. Com Keiko Fujimori, isso mudou.

Um dos principais trunfos políticos da filha de Alberto Fujimori é que ela percorreu o caminho inverso ao do pai para tentar chegar ao poder. Reitor da Universidade Nacional Agrária, Fujimori aproveitou-se da insatisfação popular com a crise e os partidos políticos para se lançar à política. Criou o Cambio 90 para disputar a eleição no ano seguinte.

Keiko, após perder as eleições de 2011 para Ollanta Humala, decidiu investir no seu partido, o Fuerza Popular. Travou alianças no interior, com setores da economia, como mineradores artesanais e percorreu o país para definir uma estratégia eleitoral em 2016. Na eleição parlamentar, o Fuerza Popular saiu de 20 deputados, em 2011, para 73, este ano e terá maioria para emendar a Constituição.

“A grande diferença entre ela e o pai é que ela entendeu a importância de construir um partido desde a base”, disse ao Estado a vice-reitora de pesquisa da Universidade do Pacífico, Cinthia Sanborn. “O partido dela é pequeno em número, mas muito mais engajado que os partidos antigos, como o Apra, por exemplo.”

O Apra, do ex-presidente Alan García, é um dos partidos tradicionais que tem cada vez menos votos. Em 2011, fez apenas 4 deputados. Este ano, em coalizão com o Partido Popular Cristão, 5. García ficou em quinto lugar e quase desistiu da eleição.

“Ninguém confia mais nos políticos. Alan García no primeiro mandato era ladrão júnior. No segundo, era ladrão profissional. Se ganhasse o terceiro, teria mestrado”, disse ao Estado o aposentado Jorge Cordero.

“Muitos desses partidos são formados apenas para a eleição”, afirmou Cinthia. “Muitos jovens querem se engajar e não conseguem por isso.”

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