Partido pede que McCain mude tática

Republicanos exigem mensagem mais clara e fim de ataques pessoais

NYT, Reuters e AP, Washington, O Estadao de S.Paulo

13 de outubro de 2008 | 00h00

Os principais líderes regionais do Partido Republicano expressaram durante todo o fim de semana um descontentamento generalizado com a campanha de John McCain. Muitos acreditam que a candidatura está bem perto da ruína e exigem de McCain uma mensagem mais clara. "Estamos todos frustrados porque o tempo está se esgotando e a mensagem que a campanha quer passar não está sendo entendida pelos americanos", disse Saul Anuzis, diretor do partido em Michigan. As críticas à campanha de McCain acontecem após uma semana difícil. O republicano foi constantemente atacado nos últimos dias por membros do próprio partido que não estão satisfeitos com as contradições no discurso do candidato - McCain tenta passar uma imagem apartidária, conciliadora, ao mesmo tempo em que ataca duramente seu adversário, o democrata Barack Obama, muitas vezes no mesmo discurso.O diretor do partido na Pensilvânia, Robert Gleason, afirmou estar particularmente preocupado com os graves ataques contra Obama e o impacto negativo que entre os eleitorado moderado de seu Estado, que é crucial para as pretensões de vitória em novembro. "Os eleitores moderados são mais sofisticados e são afetados negativamente pelos ataques pessoais", disse. "Obama está vencendo a eleição aí."Outros líderes republicanos estão pressionando para que McCain se restrinja a uma única mensagem, especialmente voltada para a economia, e deixe de lado os ataques pessoais ao adversário. "McCain tem de se concentrar em um único ponto e se manter fiel a essa mensagem nos próximos 30 dias, haja o que houver", disse Vin Weber, ex-deputado por Minnesota.Analistas dizem que a reação dos republicanos é um sinal de que o partido está sem rumo. Na semana passada, a pressão da ala conservadora era justamente para que McCain jogasse mais pesado e radicalizasse o discurso, enfatizando as ligações de Obama com Bill Ayers, um terrorista dos anos 60, e Tony Rezko, criminoso condenado por suborno. RACISMOO deputado democrata John Lewis, um dos mais importantes congressistas negros dos EUA, comparou os comícios de McCain aos discursos racistas de George Wallace, ex-governador da Geórgia. "Wallace nunca disparou um tiro, mas sabia como encorajar ataques contra americanos inocentes", disse Lewis. "O clima nos comícios de McCain é muito parecido."A campanha do republicano afirmou que McCain estava "chocado" com a comparação e exigiu que Obama censurasse publicamente a declaração de Lewis. Ontem, a campanha democrata divulgou um comunicado rejeitando a comparação entre McCain e Wallace, mas sem repudiar o comentário de Lewis. "Obama não concorda com Lewis, mas o deputado está certo ao condenar os discursos radicais que McCain tem feito nos últimos dias", disse o comunicado.

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