Hannibal Hanschke/Reuters
Hannibal Hanschke/Reuters

Partido populista alemão pede o fim de 'parte' da imigração muçulmana

Com uma plataforma eurocética e conservadora, o partido tem cerca de 6% das intenções de voto no país

O Estado de S. Paulo

28 de janeiro de 2015 | 21h17

BERLIM - Uma liderança do partido populista Alternativa para a Alemanha expressou nesta quarta-feira, 29, seu desejo pelo fim de ao menos parte da imigração de muçulmanos no país. "Eu não quero mais imigrantes vindos dessa tradição cultural", afirmou Alexander Gauland, vice-presidente do partido, em entrevista publicada pelo jornal berlinense Tagesspiegel.

Gauland moderou seu tom mais tarde, em entrevista ao Wall Street Journal, afirmando que deseja frear apenas parte da imigração daqueles imigrantes que não seriam assimilados. Um médico sírio que fala inglês e alemão seria bem-vindo, por exemplo. Já uma camponesa do Iêmen que "anda totalmente coberta e não fala a língua" não.

A Alemanha, assim como grande parte dos países europeus, tem se sentido desconfortável com suas populações muçulmanas. No entanto, o passado nazista do país raramente permite que tais preocupações cheguem ao debate político nacional.

A ascensão do Alternativa para a Alemanha, entretanto, pode mudar esse cenário. Com uma plataforma eurocética e conservadora, o partido tem cerca de 6% das intenções de voto no país, acima do limiar de 5% que daria o direito de eleger representantes nas eleições estaduais do ano que vem e no Parlamento, em 2017.

Até o momento, o partido tem conseguido evitar a associação com o nazismo que prejudicou muitos outros partidos de direita no país. Em parte, esse sucesso se deve à imagem de partido fundado por professores sóbrios que se opunham a resgates de países europeus na zona do euro.

Cerca de 4 milhões de muçulmanos, ou 5% da população total, vivem na Alemanha, a maioria de descendência turca. Tem chamado a atenção as grandes manifestações islamofóbicas da Pegida (Patriotas Europeus Contra a Islamização do Ocidente), que tem reunido milhares semanalmente em cidades como Dresden. / DOW JONES NEWSWIRES 

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