Partido protestante vence eleição na Irlanda do Norte

O Partido Democrático Unionista (DUP), pró-britânico, do pastor protestante Ian Paisley, fortaleceu sua maioria na assembléia da Irlanda do Norte, segundo os resultados eleitorais finais, divulgados na sexta-feira. Londres acirrou a pressão para que Paisley forme uma coalizão com seus rivais católicos para governar a província. A eleição de quarta-feira era considerada um teste do apoio a um governo que reunisse o DUP e o seu velho aliado Sinn Fein, que defende a unificação com a vizinha República da Irlanda, de maioria católica. O DUP conquistou 36 das 108 cadeiras da assembléia, seis a mais que na eleição de 2003. O Sinn Fein ganhou 4, chegando a 28. Partidos católicos e protestantes mais moderados caíram para 16 e 18 cadeiras, respectivamente. Embora o DUP e o Sinn Fein defendam a retomada de um governo local, eles ainda não se falam. O governo britânico deu prazo até 26 de março para que eles definam uma coalizão, sob pena de permanecerem indefinidamente sob o controle de Londres, imposto há cinco anos, depois do colapso de uma coalizão entre partidos católicos e protestantes. "A base sobre a qual a eleição foi convocada e disputada foi que as pessoas entrariam a seguir no governo transferido", disse o primeiro-ministro inglês, Tony Blair, após reunião em Bruxelas com seu colega da República da Irlanda, Bertie Ahern. "O mandato dado aos partidos pelo povo da Irlanda do Norte é para ir adiante e cumprir", acrescentou. Blair e Ahern passaram quase uma década em busca da paz duradoura para a província. Um acordo de 1998 encerrou quase três décadas de violência nas quais 3.600 pessoas morreram. Paisley, 80 anos, será uma peça-chave nos próximos fatos. Uma das figuras mais tradicionais da política norte-irlandesa, esse pastor de voz grave deve se tornar primeiro-ministro no eventual governo local. Para desagrado de alguns seguidores, ele não descarta uma coalizão, mas enfatiza que precisa se convencer do compromisso do Sinn Fein com a paz. Nesta semana, Paisley disse que o grupo republicano deveria "se afastar dos seus maus modos". Fazendo históriaApós eleição onde partidos radicais, tanto protestantes quanto católicos, ficaram na frente dos moderados, uma candidata entrou para a história do país ao conseguir uma cadeira na Assembléia.Anna Lo não se enquadra nos padrões conservadores do país. Não é protestante ou católica. Nativa de Hong Kong, viveu na Irlanda do Norte Por 32 anos e se tornou a primeira mulher de um grupo minoritário a ser eleita.A mídia chinesa reportou que foi a primeira pessoa oriunda da China a ser eleita em qualquer lugar da Europa."Eu sou uma Taoísta, não cristã, e eu não pertenço ao laranja ou ao verde", disse, se referindo as cores da bandeira. "Eu estou realmente no meio".

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