Nicaraguan Presidency/AFP
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Partido que ameaçava reeleição de Ortega é inabilitado na Nicarágua

Justiça eleitoral do país cancelou pessoa jurídica do Cidadãos pela Liberdade e retirou cidadania da presidente da legenda

Redação, O Estado de S.Paulo

06 de agosto de 2021 | 21h58

MANÁGUA - O Conselho Supremo Eleitoral (CSE) da Nicarágua inabilitou nesta sexta-feira, 6, o partido de direita Cidadãos pela Liberdade (CxL), que lidera uma aliança opositora contra a reeleição do presidente Daniel Ortega em 7 de novembro, após anular sua pessoa jurídica.

O CSE ordenou "cancelar a pessoa jurídica do partido político Cidadãos pela Liberdade (CxL)", diz a resolução do tribunal, lida pelo secretário de atuações do organismo, Luis Luna, a veículos de comunicação oficiais.

A medida deixa o principal bloco da oposição fora das eleições gerais de novembro, nas quais Ortega, um ex-guerrilheiro de 75 anos que está no poder desde 2007, busca obter o quarto mandato consecutivo. 

O CSE tomou a decisão horas depois que o também de direita Partido Liberal Constitucionalista (PLC), segunda força parlamentar e acusado de colaborar com o governo, pediu ao CSE para anular o CxL, alegando ações que estavam em desacordo com a lei. 

De acordo com o texto apresentado pelo PLC, o bloco de oposição CxL tem como presidente nacional e representante legal Carmella Rogers Amburn, conhecida na esfera política como Kitty Monterrey, que “tem dupla nacionalidade (americana e nicaraguense), em notória violação da lei". Diante desta alegada irregularidade, o PLC solicitou ao CSE que “declarasse nulo e sem efeito tudo o que foi feito pelo partido CxL”. 

O tribunal eleitoral, nas mãos do partido no poder, também cancelou a cédula de identidade da presidente do CxL. Segundo o CSE, a presidente do grupo “utilizou procedimentos irregulares” e “tem se portado fora das condições técnicas e regulamentares legais para esta classe de organização política”.

O CxL denunciou que sua presidente teve a nacionalidade nicaraguense retirada, o que a deixa como cidadã norte-americana com uma situação migratória complicada e sujeita à deportação.

Diretores e membros da aliança temem ser detidos na onda de prisões que acontece no país às vésperas das eleições. Trinta e um líderes opositores, entre eles sete candidatos à presidência, foram presos desde junho, a maioria acusada de "traição à pátria".

Pouco depois de a Justiça eleitoral ter inabilitado o CxL, o candidato à presidência pelo PLC, o empresário Milton Arcia, anunciou que estudava renunciar à candidatura, em protesto contra a atuação de seu partido, fundado pelo ex-presidente Arnoldo Alemán (1997 -2002). "Estou assustado com o que está acontecendo. Gosto da democracia e queria que todos nós competíssemos", declarou.

A comunidade internacional condenou as prisões e ações judiciais contra os opositores e pediu a realização de eleições livres. /AFP

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