Partido rejeita coalizão de Tzipi

Sem apoio, governo israelense deve antecipar eleição

AP e Reuters, Jerusalém, O Estadao de S.Paulo

25 de outubro de 2008 | 00h00

O partido religioso ultraconservador Shas anunciou ontem que não participará da coalizão governista que a chanceler Tzipi Livni tenta formar. A decisão é uma grande derrota para Tzipi, líder do partido Kadima, que precisava do apoio da legenda para formar um gabinete e assumir como primeira-ministra. Agora, Israel fica mais perto de ter de antecipar eleições parlamentares. A chanceler já tinha o apoio 48 parlamentares - 29 do Kadima e 19 do Partido Trabalhista, de Ehud Barak. Como ela precisava da maioria dos 120 assentos, o voto dos 12 políticos do Shas era crucial. O líder da legenda, Eli Yisahi, afirmou que o Shas cancelou as negociações com Tzipi porque ela não atendeu às demandas sobre o status de Jerusalém e sobre benefícios sociais para israelenses.O Shas é contra a divisão de Jerusalém - uma das propostas fundamentais para o acordo de paz com os palestinos, que querem a área oriental da cidade (ocupada por Israel em 1967) como a capital de seu futuro Estado. "Tomamos essa decisão com base em nossos princípios. Como eles não foram atendidos, não vamos aderir à coalizão. O Shas não pode ser comprado e não aceitamos vender Jerusalém", disse Yisahi. Tzipi, assim com os líderes trabalhistas, defende as negociações de paz com os palestinos. Mesmo sem o apoio do Shas, Tzipi ainda tem chance de assumir o poder. Uma das alternativas é formar uma coalizão minoritária, com o aval de legendas menores, como o Partido dos Aposentados. Formalmente, a chanceler tem mais dez dias para formar um novo governo. No entanto, ela disse que anunciará amanhã se obteve o apoio necessário. Caso ela não consiga formar uma coalizão, o presidente Shimon Peres deve antecipar as eleições - o que não agrada ao Kadima nem aos trabalhistas, pois pesquisas recentes indicam que, se houver eleições, o partido direitista Likud sairia vencedor e seu líder, Binyamin Netanyahu, seria eleito premiê. Tzipi foi escolhida para liderar o Kadima quando o premiê Ehud Olmert renunciou, após ser acusado de envolvimento num escândalo de corrupção.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.