Jim Lo Scalzo Arquivo / EFE
Jim Lo Scalzo Arquivo / EFE

Republicanos censuram desleais a Trump e chamam invasão ao Capitólio de 'discurso político legítimo'

Partido aprova censura a dois deputados que colaboram com investigação na Câmara sobre o ataque de 6 de janeiro de 2021; ex-vice Mike Pence rebate alegação de Trump de que poderia ter revertido eleição

Redação, O Estado de S.Paulo

04 de fevereiro de 2022 | 18h44

WASHINGTON - O Partido Republicano censurou dois de seus parlamentares nesta sexta-feira, 4, em uma escalada da legenda para punir dissidentes considerados desleais ao ex-presidente dos EUA Donald Trump. O partido se referiu ao ataque ao Capitólio em 6 de janeiro de 2021, que terminou com cinco mortos, como um "discurso político legítimo"

Liz Cheney e Adam Kinzinger, os únicos republicanos na comissão da Câmara que investiga o papel de Trump no ataque ao Capitólio, são vistos como adversários do ex-presidente, que mantém um forte controle sobre o partido apesar de sua derrota nas eleições de 2020.

Os 168 membros do Comitê Nacional Republicano (RNC, por sua sigla em inglês), reunidos em Salt Lake City, Utah, aprovaram uma censura formal, acusando os dois legisladores de comportamento "destrutivo da Câmara dos Deputados dos EUA, do Partido Republicano e da república". Os votos pelo "sim" foram esmagadores, com alguns pelo "não", de acordo com repórteres na reunião.

O partido declarou oficialmente o ataque ao Capitólio e os eventos que o antecederam são parte de um "discurso político legítimo". A resolução não foi lida e toda votação durou cerca de um minuto, segundo a imprensa americana.

Os partidários linha-dura de Trump vêm pressionando há meses para que Cheney e Kinzinger sejam depostos, principalmente porque a investigação sobre a insurreição de 6 de janeiro de 2021 se aproximou mais do círculo do ex-presidente. Quatro pessoas morreram durante a invasão e um policial do Capitólio morreu no dia seguinte. Cerca de 140 policiais ficaram feridos e 4 morreram depois por suicídio.

Segundo a moção de censura aprovada, as ações dos dois prejudicaram os esforços republicanos para reconquistar as maiorias no Congresso. A medida diz que o RNC "cessará imediatamente todo e qualquer apoio a eles" como membros do partido, mas não chega a pedir sua expulsão, como proposto inicialmente. O comitê usa parte de seus fundos para ajudar a apoiar candidatos republicanos em suas campanhas. 

Trump, que mantém um forte controle sobre seu partido à medida que as eleições parlamentares de 8 de novembro se aproximam, está em pé de guerra contra os republicanos que se posicionaram contra ele. Os republicanos estão tentando tomar o controle da Câmara e do Senado dos colegas democratas, partido do presidente Joe Biden.

Nem todos os republicanos estão se alinhando contra os dois. O senador republicano Mitt Romney, candidato presidencial em 2012, elogiou Cheney e Kinzinger como honrosos em um post no Twitter nesta sexta-feira.

"Vergonha para um partido que censura pessoas de consciência, que buscam a verdade de frente", disse Romney, cuja sobrinha, Ronna McDaniel, chefia o RNC. "A honra vai para Liz Cheney e Adam Kinzinger por buscarem a verdade, mesmo quando isso tem um grande custo pessoal."

Kinzinger se retirará do Congresso após as eleições de meio de mandato de novembro, enquanto Cheney corre o risco de perder sua cadeira em Wyoming. Cheney respondeu às notícias da moção de desconfiança redobrando suas críticas a Trump.

"Sou uma conservadora constitucional e não reconheço aqueles em meu partido que abandonaram a Constituição para abraçar Donald Trump. A história será seu juiz", disse. "Eu nunca vou parar de lutar por nossa república constitucional. Aconteça o que acontecer."

Papel do vice

Ainda nesta sexta-feira, o ex-vice-presidente Mike Pence rebateu diretamente as falsas alegações de Trump de que ele, de alguma forma poderia, ter anulado os resultados das eleições de 2020, dizendo que o ex-presidente estava simplesmente "errado".

Em um discurso para a conservadora Sociedade Federalista na Flórida, Pence abordou os esforços intensificados de Trump nesta semana para avançar a falsa narrativa de que o ex-vice, como presidente do Senado e da sessão que validou a vitória de Biden, poderia ter feito algo para impedir que o presidente eleito assumisse o cargo.

"O presidente Trump está errado", disse Pence. "Eu não tinha o direito de derrubar a eleição." 

Embora Pence no passado tenha defendido suas ações em 6 de janeiro e dito que ele e Trump não falaram diretamente sobre o que aconteceu naquele dia, os comentários desta sexta-feira marcam sua refutação mais contundente ao ex-presidente até o momento.

Pence está preparando as bases para uma potencial candidatura à presidência em 2024, o que pode colocá-lo em competição direta com seu ex-chefe, que também está planejando uma volta./AFP, REUTERS e AP

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.