AP Photo/John Minchillo
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Partido Republicano medirá peso do voto hispânico em disputa na Flórida

Grupo é o que mais cresce no Estado e já é a terceira maior comunidade dos EUA, atrás da Califórnia e do Texas; voto foi decisivo nas eleições presidenciais de 2008 e 2012 que levou Barack Obama à Casa Branca e o reelegeu

O Estado de S. Paulo

11 de março de 2016 | 07h00

MIAMI, EUA - Crucial nas eleições presidenciais americanas de 2008 e de 2012, o voto hispânico voltou a ganhar destaque entre os pré-candidatos à Casa Branca, especialmente republicanos, às vésperas das primárias na Flórida. Na terça-feira, democratas e republicanos votarão no Estado, onde os latinos representam 1,8 milhão do total de 12,2 milhões de eleitores registrados. 

Em uma disputa na qual dois dos quatro candidatos têm sobrenome e origens hispânicas – os senadores Marco Rubio e Ted Cruz –, os republicanos lutam para conquistar esse eleitorado que, nos últimos anos, tem migrado cada vez mais para o Partido Democrata. 

A briga ganha contornos de urgência para Rubio que, se sofrer uma derrota em seu Estado natal – onde o vencedor ficará com todos os delegados –, estará praticamente fora da disputa pela indicação. O senador, que vem sendo atropelado pelo magnata Donald Trump na campanha, amarga uma segunda posição em casa. 

Segundo a pesquisa de ontem do Washington Post-Univisión News, o empresário tem 38% da preferência dos eleitores, enquanto Rubio tem 31%. Cruz vem em seguida, com 19%, e o governador de Ohio, John Kasich, com apenas 4%. A vantagem é de Rubio quando a sondagem é feita apenas entre o eleitorado republicano: ele tem 49% contra 20% de Trump, empatado com Cruz – o que mostra que o magnata se sai melhor com independentes e moderados. 

Um levantamento da Division of Elections da Flórida mostrou que, em 2014, 4,8 milhões de hispânicos viviam no Estado, figurando como a terceira maior comunidade latina dos EUA, atrás de Califórnia e Texas. A minoria cresce mais rápido que a população do Estado, em geral, segundo o Pew Research Center.

De acordo com o Pew, entre os eleitores hispânicos registrados, os democratas superaram os republicanos em 2016. Entre 2006 e 2016, o número de eleitores latinos no Estado cresceu 61% e, enquanto o aumento entre democratas foi de 83%, o de republicanos foi de apenas 16%. Segundo o Pew, houve um grande avanço também entre os que se identificam como não tendo filiação partidária: 95%. 

Apesar da popularidade de Trump, o Partido Republicano teme que sua retórica incendiária e racista, que mira principalmente imigrantes hispânicos, possa alienar de vez esse eleitorado. O magnata tem afirmado que levantará um muro na fronteira sul dos EUA para barrar a entrada de imigrantes – ele seria pago pelos mexicanos – e deportará todos os 11 milhões de ilegais no país. 

Com o desempenho ruim de Rubio, que não conquistou um delegado sequer na última rodada de prévias, Cruz se apresenta agora como o único capaz de impedir a indicação de Trump. Para conquistar o eleitorado estratégico, o pré-candidato se apresentou no Estado como o “primeiro presidente hispânico dos EUA, caso seja eleito. 

Ele fez campanha ontem em Miami e citou os avós cubanos, lembrando que é filho de um “lavador de pratos que desceu de um barco em Key West há 60 anos”, em referência a seu pai, Rafael Bienvenido Cruz, que deixou Cuba em 1957. 

Cruz tenta conquistar ainda o apoio de Jeb Bush, ex-governador da Flórida, casado com uma mexicana e favorito do establishment, que deixou a disputa após acumular derrotas. 

“Ele (Cruz) não é meu favorito, mas estamos onde estamos. Se Trump vencer a Flórida e Ohio, não sei se poderemos detê-lo”, disse o senador Lindsey Graham, ex-candidato à presidência e um dos líderes do partido. / AP e WP

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