Partido Republicano não ganha em Michigan desde 1988

Bill Clinton venceu em 1992, os democratas levaram o Estado nas 4 eleições seguintes e são favoritos mais uma vez

Lourival Sant’Anna / ENVIADO ESPECIAL / DETROIT, EUA ,

03 de novembro de 2012 | 21h28

DETROIT, EUA - A última vez em que um candidato republicano à presidência ganhou no Michigan foi em 1988, na eleição de George Bush, pai. Desde 1992, com a vitória de Bill Clinton, os democratas têm levado a melhor no Estado. Desta vez, Barack Obama está na frente, com 47,7%, contra 44,7% para Mitt Romney, na média das pesquisas formulada pelo site Real Clear Politics. Tecnicamente, Michigan é considerado indefinido.

 

"O Estado é heterogêneo", define Michael Tragott, especialista em eleições da Universidade de Michigan. "Os afro-americanos de Detroit são quase inteiramente democratas." Os negros representam 82,7% da população, em razão da fuga de brancos durante os distúrbios raciais dos anos 40 e 60. Em contrapartida, nos subúrbios de alto poder aquisitivo a oeste de Detroit, vivem eleitores brancos predominantemente conservadores.

 

No centro do Estado, há muitos conservadores em termos sociais, contrários ao aborto e ao casamento de homossexuais, por exemplo, e que por isso preferem Romney a Obama. Já no norte da península, há um eleitorado mais liberal e portanto democrata, descreve Tragott. Os dois senadores por Michigan são democratas, mas o governador é republicano.

Em Detroit, no entanto, a candidatura de Romney está manchada pela posição que ele adotou quando era aspirante a candidato a presidente nas primárias republicanas de 2008. No auge da crise econômica, que castigou a indústria automobilística concentrada em Detroit, ele publicou um artigo no jornal The New York Times, que foi intitulado "Deixe Detroit falir".

No debate do dia 16, quando Obama o confrontou com essa frase, Romney disse que defendia a decretação da falência das montadoras, para que elas ingressassem em um programa de recuperação financeira, e que foi exatamente isso o que o presidente fez. Seja como for, a forma como Obama reuniu representantes dos bancos credores, das montadoras, dos sindicatos e do governo, para encontrar uma saída negociada para a crise, cativou os trabalhadores da indústria. A operação de resgate não só preservou o 1,1 milhão de empregos da indústria automobilística como gerou outros 250 mil, segundo o United Auto Workers (UAW), o sindicato dos trabalhadores do setor, que apoia o Partido Democrata. Parte desses trabalhadores, como operários sindicalizados, já era democrata. Mas outra parte se encaixava no perfil do trabalhador branco de baixa escolaridade, conservador, que tradicionalmente vota nos republicanos.

Obama é visto como um "salvador" até por quem votou no republicano John McCain em 2008. Caso de Chuck Stoyanov, de 45 anos, engenheiro de produção da Ford. "Eu votava nos republicanos. Votei em McCain, mas agora vou votar em Obama. Ele salvou a indústria automobilística."

 

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