Partido sunita abandona o governo do Iraque

Um importante partido sunita anunciou sua retirada do governo interino iraquiano e entregou o ministério que ocupava, em protesto contra o assalto dos EUA ao bastião insurgente de Faluja. Ao mesmo tempo, a Associação dos Acadêmicos Islâmicos defendeu o boicote das eleições marcadas para janeiro. Líderes do Partido Islâmico Iraquiano se reuniram na segunda-feira e decidiram que o ministro da Indústria, Hajim Al-Hassani, deveria entregar o cargo. "Não podemos fazer parte... da injustiça sendo cometida contra o povo inocente" de Faluja, explicou Mohsen Abdel-Hamid, líder do partido. Já Harith al-Dhari, diretor da Associação dos Acadêmicos Islâmicos, disse que a eleição será realizada "sobre os corpos dos mortos em Faluja e o sangue dos feridos". Tanto a associação quanto o partido exercem forte influência sobre a minoria sunita iraquiana, e a falta de participação da comunidade na eleição iraquiana levantará dúvidas sobre sua legitimidade. Numa entrevista coletiva na segunda-feira, o primeiro-ministro Ayad Allawi não demonstrou preocupação com o impacto da ofensiva em Faluja na sociedade iraquiana. Perguntado se havia tomado alguma iniciativa para evitar uma divisão entre os iraquianos, ele respondeu que "a única divisão que existe no Iraque é entre os iraquianos e os terroristas".

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