Partido Trabalhista apóia uso de força contra o Iraque

O Partido Trabalhista, do primeiro-ministro britânico Tony Blair, há muito dividido sobre um ataque ao Iraque, aprovou hoje uma resolução que admite o uso da força contra Saddam Hussein depois que tenham sido esgotados todos os esforços diplomáticos. Durante encontro nacional no norte da Inglaterra, delegados aprovaram uma moção encorajando o governo a esgotar todas as formas possíveis para desarmar pacificamente Saddam, sob a rubrica das Nações Unidas. Segundo o partido, "como último recurso, isso poderia envolver ação militar, mas dentro do contexto do direito internacional e com a autoridade das Nações Unidas".A conferência rejeitou por 60% a 40% dos votos uma moção descartando o uso da força, com base de que não existe evidência suficiente para corroborar acusações de que o Iraque possui armas de destruição em massa. O governo não tem obrigação de aplicar as moções, mas elas são uma expressão simbólica das visões do partido. Delegados defenderam apaixonadamente suas posições divergentes durante o debate.O secretário do Exterior Jack Straw argumentou que a ameaça do uso da força foi a única razão que levou Saddam a aceitar a volta dos inspetores. "Jogar fora a ameaça agora e aceitar as palavras de Saddam seria deixar esse ditador tirânico ficar impune", afirmou Straw, no encerramento do debate. "A melhor chance que temos para resolver pacificamente a crise é com a posição mais firme possível, que deixe clara nossa disposição de usar a força caso a vontade internacional continue a ser desafiada", acrescentou.A delegada Eileen Sinclair se disse envergonhada com a política externa britânica. "Existe realmente qualquer justiça em se bombardear um país e seu povo com base em evidência não contundente?" perguntou. "Deixe-nos dar um pequeno passo em direção à paz, recusando apoiar uma guerra contra o Iraque", disse.

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