Partido Verde pede eleições antecipadas na Irlanda

Bloco faz parte do governo e quer nova liderança para reestruturar economia do país europeu

Efe

22 de novembro de 2010 | 13h05

DUBLIN - O Partido Verde, membro minoritário no governo da Irlanda, pediu nesta segunda-feira, 22, a realização de eleições gerais antecipadas para janeiro, por meio de uma declaração do presidente da legenda, John Gormley.

 

Gormley, ministro do Meio Ambiente, assegurou que os cidadãos se sentem "enganados e traídos" e, por isso, é necessário convocar um novo pleito para, no máximo, a segunda semana de janeiro.

 

"A semana passada foi traumática para o eleitorado irlandês", disse o dirigente, em referência ao resgate financeiro que o governo de Dublin solicitou neste domingo à União Europeia (UE) e ao Fundo Monetário Internacional (FMI) para resolver sua profunda crise econômica.

 

"Chegamos a um ponto no qual a população precisa de certeza política que possa guiá-la durante os próximos dois meses. Portanto achamos que é o momento de fixar uma data para realizar eleições gerais", acrescentou Gormley.

 

O ministro explicou que o partido tomou sua decisão no sábado passado e que o primeiro-ministro, Brian Cowen, foi informado a respeito na manhã desta segunda-feira.

 

Gormley declarou que o país necessita de um governo estável para elaborar, primeiro, um plano quadrienal de austeridade "crível", para depois aprovar um orçamento geral para 2011 e assegurar durante as próximas semanas os fundos de ajuda da UE e do FMI "vitais para os juros irlandeses e a estabilidade do euro".

 

A maioria que o Executivo de Dublin tem no Parlamento poderia ser ainda mais prejudicada se, como já é dado por certo, o candidato do partido governista, o Fianna Fáil (FF), perder as eleições parciais que serão realizadas nesta quinta-feira na circunscrição do condado de Donegal, noroeste do país.

 

Neste contexto, a Câmara Baixa irlandesa poderia rejeitar o orçamento, cujo objetivo é economizar durante 2011 cerca de 6 bilhões de euros, embora esta seja apenas a primeira fase de um pacote de medidas mais amplo planejado para guiar a economia nacional durante os próximos quatro anos.

 

O plano de austeridade quadrienal, que será apresentado nesta semana, prevê reduzir o déficit para até 3% do PIB em 2014 mediante cortes estimados em 15 bilhões de euros e, segundo o Governo, conta com a aprovação da UE e do FMI.

 

Enquanto isso, o Executivo irlandês continua negociando nesta segunda-feira com estes organismos as condições do plano de resgate ao país, entre as quais se destacam uma profunda reforma do sistema bancário e de sua política orçamentária.

 

Embora ainda não haja números concretos, a imprensa irlandesa estima que o fundo de ajuda europeu e do FMI possa chegar os 90 bilhões de euros, número muito superior ao esperado por Dublin, que confiava em não ultrapassar os 70 bilhões de euros.

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