Partido xenófobo da França ataca deputado de origem brasileira

Líder de extrema direita afirma que congressista nascido em Porto Alegre é 'francês novo' e quer lotar o país de imigrantes

ANDREI NETTO, CORRESPONDENTE / PARIS, O Estado de S.Paulo

06 de agosto de 2013 | 02h01

A ascendência brasileira do deputado francês Eduardo Rihan Cypel, parlamentar eleito em 2012 e hoje porta-voz do Partido Socialista da França (PS), virou alvo de líderes da legenda de extrema direita Frente Nacional (FN), que defende ideias racistas e xenofóbicas. Bruno Gollnisch, deputado europeu e membro do comitê central da FN, destacou a origem estrangeira do parlamentar, "acusando-o" de estimular a imigração no país.

Gollnisch é um dos expoentes do partido do empresário Jean-Marie Le Pen e de sua filha, Marine Le Pen, ambos ex-candidatos à presidência - que já obtiveram até 18% dos votos. O partido defende um programa de governo com base na expulsão em massa de estrangeiros, que culpam por problemas do país.

Em sua entrevista, Gollnisch afirmou que Cypel é "um francês relativamente novo", que o faz pensar "nessas pessoas que você convida para sua casa e, quando eles se sentem em casa, querem trazer todo mundo".

Filho de pai e mãe brasileiros e nascido em Porto Alegre, o deputado imigrou para a França aos 10 anos e obteve a nacionalidade francesa aos 22. Hoje, com 37 anos, Cypel é um dos jovens destaques da Assembleia Nacional da França. Alçado à condição de um dos porta-vozes do PS, esteve na linha de frente de projetos controvertidos do governo socialista, como o que legalizou o casamento entre pessoas do mesmo sexo.

Ontem, o parlamentar se disse chocado pelo ataque, que, no entanto, não o surpreendeu. "É típico da Frente Nacional. Uma das características do partido é atacar os franceses que têm origem estrangeira", afirmou ao Estado. "É uma visão de rejeição, que não entende a França moderna, nem sua essência: um país que permite a qualquer pessoa se tornar francês, desde que respeitem as regras da república."

O deputado lembra que o PS e o governo do presidente François Hollande vêm sofrendo ataques xenófobos, racistas e homofóbicos nos últimos meses. No fim de semana, além de receber apoio, Cypel também voltou a ser atacado com mensagens de ódio aos estrangeiros.

"Recebi muitos recados de apoio, mas também alguns bem racistas, mandando eu voltar para minha favela no Brasil, me chamando de colono não europeu, de invasor e de francês de papel", disse.

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