Partidos aceitam plano para restaurar autonomia da Irlanda do Norte, diz Blair

O primeiro-ministro do Reino Unido, Tony Blair, afirmou nesta sexta-feira que os partidos da Irlanda doNorte (Ulster) aceitaram um "Mapa do Caminho" apresentado porLondres e Dublin para conseguir um acordo que restaure a autonomiada província, suspensa desde outubro de 2002. Segundo Blair, se as formações cumprirem o plano, batizado deAcordo de Saint Andrews, um governo de poder compartilhado entrecatólicos e protestantes poderia ser formado em 26 de março. "Acreditamos que encontramos uma via de progresso", disse opremier britânico em entrevista coletiva em Saint Andrews (Escócia),onde nos últimos três dias manteve, junto a seu colega irlandês,Bertie Ahern, uma intensa rodada de conversas de paz com os partidosdo Ulster. Ambos os líderes acreditam em que o também chamado Plano Bresolva os dois assuntos que ainda separam o majoritário PartidoDemocrático Unionista (DUP), do reverendo Ian Paisley, do Sinn Féin,braço político do Exército Republicano Irlandês (IRA). O "Mapa de Caminho" estabelece que as formações norte-irlandesasdeverão expressar sua conformidade com o acordo em 10 de novembro.Só então, disse Blair, entrará em andamento uma seqüência de eventosque deveria culminar com a assinatura de um pacto de governabilidadedefinitivo para o Ulster. Enquanto isso, o Comitê de Preparação de Governo, que incluitodos os partidos da província, voltará a reunir-se dentro de quatrodias em Belfast para fixar as prioridades que um futuro Executivonorte-irlandês deverá abordar. Ao mesmo tempo, o Sinn Féin deverá realizar uma reunião de suaexecutiva para emitir um comunicado, indicando a intenção de aceitara autoridade da polícia norte-irlandesa (PSNI), tal como reivindicamos unionistas. A formação republicana poderia convocar depois uma conferênciaextraordinária do partido, na qual consultaria seus correligionáriossobre o delicado assunto do PSNI. Nesse cenário, a Assembléia norte-irlandesa - restabelecidaparcialmente em maio - deverá escolher em 24 de novembro umprimeiro-ministro do Ulster, possivelmente Paisley, e seu vice, queprovavelmente será o "número dois" republicano, Martin Mcguinness. Já em 2007, o primeiro relatório do ano da Comissão Independentede Controle (IMC), que supervisiona as atividades dos paramilitares,poderia aprovar suas análises anteriores, nas quais confirmou ocompromisso do IRA com o processo de paz. Depois, a intenção de Londres é convocar uma consulta popular naprovíncia, assim como um plebiscito e eleições autônomas, que sirvampara medir o grau de popularidade da nova direção que os políticosdo Ulster estão dispostos a tomar.

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