Partidos americanos se esforçam para levar eleitor às urnas

Na véspera das eleições legislativas desta terça-feira, os dois principais partidos americanos enviaram centenas de voluntários aos estados com as disputas mais acirradas para tentar convencer os eleitores a votar. O principal obstáculo tanto para o Partido Republicano, quanto para o Democrata, é a tendência histórica de abstenção dos eleitores. Ao contrário do Brasil, o voto nos Estados Unidos não é obrigatório. Já para os americanos que pretendem votar na terça-feira, os dois partidos escalaram equipes para tentar convencer os eleitores a mudar de opinião. Estão em jogo 435 assentos na Câmara dos Representantes (deputados), 33 no Senado e o governo de 36 estados, juntamente com centenas de assentos nos legislativos locais. Em 37 estados, os eleitores também decidirão questões polêmicas como o casamento homossexual, o aumento do salário mínimo e a ampliação da permissão para pesquisas com célula tronco. Na Dakota do Sul, a imposição da mais dura legislação anti-aborto também será votada. A deputada democrata pela Califórnia Nancy Pelosi, que espera tornar-se a primeira presidente mulher da Câmara dos Representantes, discursou para candidatos democratas no domingo. Ela foi cautelosamente otimista em relação às chances de seu partido em ganhar a presidência das duas Casas. "Somos agradecidos pela nossa atual posição, com boas condições de sucesso", disse ela durante um evento do partido no estado de Connecticut. "Mas temos dois Montes Everest para escalar - eles se chamam segunda e terça-feira", completou. O Partido Democrata está confiante de que poderá manejar o enorme descontentamento público contra a administração Bush no sentido de conquistar a vitória na Câmara e, possivelmente, no Senado. Mas, com a possibilidade de haver uma grande abstenção nesta terça-feira, nada está garantido. É o que acredita o presidente americano, George W. Bush, que passou esta segunda-feira discursando para que os republicanos dos estados do sul do país - reduto do partido - saiam de casa e votem. "Se os democratas são tão bons em ser um partido de oposição, vamos mantê-los na oposição", disse Bush a uma multidão na cidade de Grand Island, no Nebraska. Os republicanos esperam que a operação para convencer os eleitores a votar possa prevenir uma vitória Democrata após uma campanha marcada pelo descontentamento diante das políticas americanas para o guerra do Iraque. Os republicanos também mantiveram suas acusações de que os democratas elevarão impostos e sairão prematuramente do Iraque caso conquistem o controle do Congresso. Já os democratas pressionam por mudanças nos da guerra, argumentando que os republicanos seguiram cegamente as "políticas falidas" da administração Bush. Com a guerra do Iraque dominando a campanha eleitoral, republicanos e democratas não cessam as trocas de acusações. "Sair do Iraque, retirar-se desta guerra, é o mesmo que perder. Os democratas parecem satisfeitos em perder", disse a coordenadora da campanha republicana, senadora Elizabeth Dole, da Carolina do Norte. A resposta veio na voz do líder da campanha democrata para a Câmara, deputado Rahm Emanuel, de Illinois. "Nós queremos ganhar, e queremos uma nova direção para o Iraque." As eleições legislativas americanas costumam ter um nível de comparecimento baixo, com média de participação de apenas 40% dos cidadãos aptos a votar.

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