Sebastian Scheiner/AP
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Partidos árabes saem fortalecidos de eleição parlamentar em Israel

Coalizão que representa minoria teria obtido até 13 assentos no Parlamento, segundo pesquisas de boca de urna divulgadas hoje

O Estado de S. Paulo

17 Março 2015 | 19h22


JERUSALÉM- A Lista Árabe Unida, coalizão partidária que representa a minoria árabe-israelense, converteu-se nesta terça-feira, 17,  na terceira força política do Parlamento de Israel ao conquistar, segundo pesquisas de boca de urna divulgadas após do fim da votação, 12 ou 13 assentos na Knesset.

De acordo com as sondagens feitas pelos canais 2 e 10, ambos privados, a Lista Árabe Unida elegeria 13 parlamentares, enquanto o Canal 1, estatal, afirmava que a coalizão teria obtido 12 cadeiras no Parlamento.

Em qualquer dos casos, a coalizão árabe – formada por quatro partidos de ideologia nacionalista, islâmica e democrata – terá um peso considerável na próxima legislatura, ainda que analistas descartem a possibilidade de a aliança fazer parte do próximo governo, seja ele de centro-esquerda ou de direita.

A Lista Árabe Unida foi formada em janeiro, após esforços dos partidos árabes em conciliar suas distintas vertentes ideológicas e uma iniciativa da ultradireita israelense de aumentar de 2% para 3,25% sua participação na Knesset.

O partido que fez a proposta para o aumento da participação parlamentar árabe, Israel Beitenu, teve seu número de deputados reduzido de 13 para 5 nas eleições de ontem.

Perdedores. O chanceler israelense, Avigdor Lieberman, político que lidera o Israel Beitenu – e ferrenho defensor dos assentamentos na Cisjordânia ocupada –, conclamou ontem os cidadãos israelenses a votar “em qualquer partido sionista”, independentemente da orientação política da legenda. 

Após votar no posto eleitoral montado no assentamento de Nokdim, onde vive, Lieberman afirmou que “o fundamental é preservar o caráter sionista e judeu do Estado de Israel”. 

Outro grande perdedor das eleições parlamentares israelenses foi o partido nacionalista pró-colonização Lar Judaico, de Naftali Bennet, que conquistou 8 ou 9 assentos da Knesset, segundo as pesquisas. Na legislatura anterior, a legenda detinha 12 cadeiras. 

Pesquisas chegaram a indicar que o partido elegeria até 17 deputados, mas um passo em falso de Bennet, que recrutou para sua lista o ídolo do futebol Eli Ohana, custou votos à legenda. O ex-jogador abandonou a lista após as críticas.

Palestinos. Depois da divulgação das pesquisas, a Autoridade Palestina declarou que intensificará seus esforços diplomáticos para responsabilizar Israel, no Tribunal Penal Internacional (TPI) por crimes de guerra e contra a humanidade cometidos nos territórios palestinos – a adesão palestina à corte foi aceita em janeiro. 

“Está claro que o primeiro-ministro Binyamin Netanyahu formará o próximo governo e, por isso, decidimos claramente que iremos ao tribunal de Haia. Vamos acelerar, prosseguir e intensificar os esforços diplomáticos”, disse o negociador palestino Saeb Erekat. / EFE e AFP

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