Dante Fernandez/AFP
Dante Fernandez/AFP

Partidos conservadores se unem contra a Frente Ampla no Uruguai 

Luis Lacalle Pou, candidato de 46 anos do conservador Partido Nacional, conseguiu formar o que ele gosta de chamar de uma 'coalizão multicolor'

Carlos Tapia, Especial para o Estado , O Estado de S.Paulo

24 de novembro de 2019 | 08h00

MONTEVIDÉU - A Frente Ampla, uma coalizão de esquerda que permaneceu 15 anos no governo, conseguiu obter 39% dos votos no primeiro turno das eleições, em 27 de outubro. É muito, se comparado com outros sistemas eleitorais, mas no Uruguai é pouco, pois a soma dos votos do Partido Nacional (28,6%), Partido Colorado (12,3%), Cabildo Aberto (11,0%), Partido da Gente (1,0%) e Partido Independente (0,9%) dá 53,8%, e todas essas forças políticas conseguiram chegar a um acordo e se uniram contra o partido governista no segundo turno, que será realizado neste domingo, 24.

Luis Lacalle Pou, candidato de 46 anos do conservador Partido Nacional, conseguiu formar o que ele gosta de chamar de uma “coalizão multicolor”. O Partido Colorado é o inimigo histórico do Nacional, ao qual também chamam de “partido branco”. No entanto, desde a fundação da Frente Ampla no Uruguai, os dois alcançaram acordos para se unir contra o inimigo comum.

O Cabildo Aberto, no entanto, está fazendo sua estreia nestas eleições. É considerado um partido militar, já que é liderado por Guido Manini Ríos, ex-comandante-chefe do Exército investigado pela Justiça por proteger um ex-ditador que admitiu ter jogado o corpo de um preso desaparecido no rio.

Partido jovem já expulsou dois dirigentes

Apesar de ser um partido jovem, já expulsou dois dirigentes: um por vestir uma camiseta com a palavra suástica escrita em alemão e outro por instigar pelas redes sociais a formação de “esquadrões da morte” como os que havia para assassinar militantes políticos de esquerda durante a ditadura militar. 

Antes da criação do Cabildo Aberto, era o Partido da Gente que buscava os votos dos eleitores de direita prometendo adotar uma política de “linha dura”. O Partido Independente, por sua vez, se define como de centro-esquerda e tem entre seus membros ex-militantes da Frente Ampla. 

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